20 anos em plena forma

A maior semana de moda do país está voltando aos bons dias, usando a fórmula da simplicidade

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Corpos vermelhos e olhos duplicados na noite sonâmbula de Ronaldo Fraga
Nelson Antoine
Corpos vermelhos e olhos duplicados na noite sonâmbula de Ronaldo Fraga

Comemorando seu aniversário de 20 anos, o São Paulo Fashion Week mostra que está em boa forma numa temporada de inverno 2015 de cara jovem. A estrutura montada no parque Candido Portinari, zona Oeste de São Paulo, tem área aberta, praça de alimentação com food trucks (os caminhões de comida do momento) no lugar do antigo restaurante chique, mais simples, mais hype. O clima combina com a atual proposta de mulher “ideal” do mundo da moda. A mulher contemporânea é assim meio bagunçadinha, mas chiquérrima. É ela que vemos nas passarelas e nos corredores da vida real. Há a vertente das obsessivamente arrumadas. Em moda, afinal, todas essas imagens surgem de uma construção. A primeira, no entanto, é bem mais possível. E é essa a ideia.

A imagem mostrada em grande parte dos desfiles é lânguida, de uma sensualidade comportada. O comprimento mídi é dominante, e a saia da vez tem modelo lápis. Fica bem com tudo, sobretudo com peças com grandes volumes na parte de cima. A alfaiataria é outra aposta certeira.

O evento teve bons momentos, como a estreia do estilista baiano Vitorino Campos para a Animale. Sua entrada na equipe criativa da grife deu outro tom. Teve também o début da mineira Patricia Bonaldi, com sua grife jovem Pat Bo. Sua enxuta coleção é rica e extremamente bem-montada, totalmente desejável. Incrível também a parceria entre Iódice – que teve reestreia no evento – e Doisélles, marca que tem seu tricô produzido por detentos de um presídio de segurança máxima em Juiz de Fora, um trabalho fantástico da estilista Raquell Guimarães. Teve também Gisele sendo Gisele na Colcci. A dona do catwalk mais hipnótico do mundo também celebra 20 anos de passarelas. Muito bem vividos.

Inverno polarizado

Na cartela dos dias mais frios, o vermelho pode ser a cor mais quente, como propõe Ronaldo Fraga, em sua cidade sonâmbula de mulheres com corpo inteiro pintado no tom, ou Giuliana Romano, em sua femme fatale. Dependendo do ponto de vista, azul também pode ferver. Vitorino Campos, por exemplo, apresentou coleção inspirada em filme temático da trilogia de Krzystof Kieslowski, levou uma alfaiataria impecável e tecidos muito leves à passarela, além de saias-lápis com um jogo interessante de zíperes. A cor também apareceu na melhor sequência da Triton, em um tom um pouco mais claro. E bem mais fechado, pontuou a coleção de Giuliana Romano. Lindas combinações com marrom (atenção também a esse neutro) surgiram no show do mestre Alexandre Herchcovitch.

Por fim, o momento não poderia ser melhor para nós, mineiros. Não só na representatividade política ou no futebol, mas também na moda. Havia mais de dez anos que não tínhamos tantas grifes da terra desfilando no evento (são seis), quatro estreias (Llas, Pat Bo e Apartamento 03 e Gig). Que venham mais 20!

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