Ele é o cara!

Conversamos com o nome por trás das mais importantes semanas de moda brasileiras

iG Minas Gerais | Deborah Couto e Silva |

Panorâmica de umas das edições do SPFW, o grande feito de Borges
Agência Fotosite/Divulgação
Panorâmica de umas das edições do SPFW, o grande feito de Borges

Paulo Borges é um empresário genial. É simpático com todos, sabe conversar sobre tudo e já viveu dias de glória e de escassez do mundo da moda. À frente do São Paulo Fashion Week (que acabou no último dia 7) e do Fashion Rio (que pulou a edição de inverno 2015), ele nos fala sobre mercado fashion, blogueiras, vida pessoal e um pouco mais. Confira a entrevista especial a seguir. 

Como você vê o formato de apresentação de coleções hoje? Acha que o desfile tradicional está em decadência?

Nas últimas décadas, o papel dos desfiles foi ampliado enormemente. Embora a fórmula passarela + modelos + cenário + trilha sonora continue a mesma, o impacto de um desfile é hoje muito maior. Há 30, 40 anos, sua função era apenas mostrar coleções para um grupo seleto de compradores e jornalistas. Hoje, esse papel cresceu, evoluiu, se agigantou. Graças ao alcance global e transversal da internet, o desfile se transformou em uma das mais fortes ferramentas de comunicação de uma marca. O propósito é participar do processo ininterrupto de geração de desejo, construção e posicionamento de marca.

Oskar Metsavaht afirmou que a moda está fora de moda, a arte está na moda. Como você analisa essa afirmação?

Esse conceito de estar ou não fora de moda me parece antigo. Está muito relacionado a uma forma de pensar excludente. Não existe mais isto ou aquilo. É tudo junto e misturado, isto e aquilo. Moda e arte sempre tiveram uma relação estreita. O artista, o criador, sempre busca formas e suportes múltiplos para se expressar, e vemos inúmeros exemplos, ao longo da história, de incursões e experimentações de artistas na moda e de estilistas na arte. O SPFW, desde o início, acreditou na intersecção entre esses dois universos, abrindo espaço a cada edição para exposições e instalações artísticas. A colaboração com artistas faz parte da estratégia de todas as maiores grifes do mundo e continuará sendo sempre. Hoje a arte se comporta cada vez mais como um produto de moda, saindo de uma Bienal a uma galeria e uma feira de arte, para consumo imediato. Ambos trabalham com emoção, desejo, inspiração. Acho que tudo isso são processos que vão mudando, e a moda respira isso tudo ao mesmo tempo, ela olha para o cinema, para a arte, para a inovação tentando digerir o que a sociedade está vivendo e demandando. Por que as pessoas não têm mais paciência para ver apresentações conceituais? O que aconteceu com a moda conceitual?

Um desfile que surpreenda e emocione será sempre bem recebido. Peças conceituais têm poder de reforçar a identidade da marca e criar desejo. São peças que têm um público inicial menor de early adopters, mas é, através delas, que a moda pode propor algo novo. Moda tem que encantar e gerar desejo. De qualquer maneira, moda é produto e negócio e tem que gerar resultados. Hoje, são muitas as pressões sobre o negócio. O mercado é cada vez mais competitivo. E as ideias precisam se reverter em produtos que possam ser reproduzidos em escala e que garantam a sustentabilidade comercial das marcas. E é no equilíbrio entre o mais conceitual e o comercial que reside o sucesso do negócio. É assim no mundo inteiro.

Uma das maiores reclamações dos jornalistas de moda hoje é a perda de espaço para os blogueiros. Acha que a coexistência é necessária?

Vivemos uma época em que tudo está sendo questionado, revisto. É natural que novas formas e processos surjam e coexistam com formas mais conhecidas e tradicionais. Isso vale para todos os segmentos e atividades. Hoje tudo é muito rápido, no bom e no mau sentido. A informação é mais disseminada, e os canais se multiplicaram graças às redes e aos avanços tecnológicos. Por outro lado, a análise e reflexão ficaram mais rasas. Mas tudo isso sinaliza também um público mais diverso que demanda essa informação em real time mas que ainda busca olhares mais balizados. Nas últimas edições do SPFW e do FR tivemos uma participação maior dos blogs. É preciso abrir espaço, porque senão você adultera um processo legítimo, engessa o real. Eu falo há anos que não existem tendências, nem uma única opinião, o que existe é uma troca. Tudo ficou mais interativo e democrático. Acho que haverá lugar para todos sempre.

Como você se prepara para o SPFW?

Não tenho nenhum ritual específico.

E como descansa depois?

Quando posso tiro alguns dias para descansar fora de São Paulo. Mas nem sempre dá, então me recolho em casa no final de semana para voltar ao trabalho na segunda. Qual é a característica de sua personalidade que te faz ser esse fenômeno do business?

Autoconhecimento, comprometimento e respeito à minha verdade pessoal. Atuo em sintonia com a minha alma e fiz da moda a minha causa. Sou um otimista por natureza. Acredito nas pessoas e no que eu faço, o resultado é consequência.

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