Rimas de amor com dor

“Alto Astral” se distancia do tom cômico do horário das sete da Globo e aposta no amor impossível

iG Minas Gerais | anna bittencourt tv press |

Disputa. Laura, interpretada por Nathalia Dill, é o centro de um triângulo amoroso da novela
Pedro Paulo Figueiredo
Disputa. Laura, interpretada por Nathalia Dill, é o centro de um triângulo amoroso da novela

As novelas das sete vêm mesmo se mostrando como um horário para a experimentação. O clichê que pregava que os folhetins desse período eram, em sua essência, cômicos, vai ficando para trás e abrindo espaço para novidades. Depois do sucesso de “Cheias de Charme”, o segundo horário de novelas da Globo ficou à mercê de produtos fracos como “Além do Horizonte” e “Geração Brasil”. A opção óbvia da emissora, no entanto, não foi voltar para a zona de conforto. Apesar de ter a direção de Jorge Fernando, “Alto Astral” não se caracteriza como uma trama cômica. A novela de Daniel Ortiz tem o romance como fio condutor. Apostar em seres sobrenaturais para ajudar a contar a história é um recurso utilizado e conhecido como bem-sucedido. Prova disso é o sucesso que “A Viagem”, de 1994, faz até hoje. Longe de ser doutrinatório, como a trama de Ivani Ribeiro, “Alto Astral” deixa uma leveza no ar ao tratar os personagens fantasmagóricos sob a ótica do humor, mas sem se desviar para o deboche.

A história gira em torno do triângulo amoroso entre Caíque, Laura e Marcos, interpretados por Sérgio Guizé, Nathalia Dill e Thiago Lacerda. Irmãos e médicos, Caíque e Marcos vão duelar pela mocinha. O primeiro é sensível e com poderes paranormais. O outro é o típico anti-herói. E é neste ponto que vai girar todo o clímax do primeiro folhetim de Daniel Ortiz como autor titular. Outros personagens, como a histriônica Samantha, bem interpretada por Cláudia Raia, resgatam o humor pedido no horário. Mas nem de longe é o mote da história. A escolha de Guizé para o papel de mocinho foi distante do óbvio jogo de caras marcadas que as produções insistem em repetir. Porém, a princípio, o ator parece não carregar o carisma necessário para protagonizar uma novela.

Com uma história, de início, morna, o que marcou em “Alto Astral” foi a trilha sonora. Em meio a boas escolhas, como Marisa Monte, o single “Diz Pra Mim”, da banda Malta, que venceu o reality show global “SuperStar”, já cansou antes mesmo do início da novela. As inserções das chamadas da trama com a música em looping eterno já desgastaram a canção do casal protagonista. Além disso, “Alma”, de Zélia Duncan, utilizada na abertura, já foi trilha de “O Clone” e “Caminho das Índias” e nem ganhou um arranjo diferente para abrir “Alto Astral”.

Com erros, acertos e ajustes a fazer, “Alto Astral” parece uma novela daquelas que não vão incomodar. A dificuldade de Daniel Ortiz, Jorge Fernando e companhia vai ser resgatar o telespectador que perdeu a esperança no horário das sete da Globo.

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