Alemães relembram a noite em que o Muro caiu

Neste domingo (9), às 19h, milhares celebrarão o fim do muro que dividiu não só a capital de um país, mas famílias e amigos; pelo menos 137 alemães morreram tentando atravessá-lo

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Pouco antes das 19h de 9 de novembro de 1989, o porta-voz do governo da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, anunciou, um tanto inseguro, que o governo comunista permitiria, enfim, que seus cidadãos atravessassem imediatamente para o lado ocidental, o capitalista.

O alemão oriental Klaus Meyer, hoje com 58 anos, assistia à entrevista pela televisão. Não deu outra. Diante do anúncio, foi caminhando a um dos pontos do Muro de Berlim checar se a informação era verdadeira. Confirmar se, enfim, poderia conhecer o outro lado da cidade. A medida anunciada pelo porta-voz, indicam os relatos da época, ainda não era para ter efeito, mas a declaração dele, confusa e sem muita firmeza, precipitou tudo.

Os alemães saíram de casa e começaram a derrubar o muro, construído em 1961 pelos soviéticos para separar a capital da Alemanha dividida entre União Soviética e potências capitalistas. Era o maior símbolo da Guerra Fria, que durou mais de 40 anos. O fim da separação acelerou a derrocada do comunismo no leste europeu.

"Atravessei a fronteira naquela noite porque era um momento histórico e não sabia até quando ficaria aberto", conta Meyer, na época funcionário da empresa de comunicações do governo comunista.

"Voltei rapidamente porque era tudo muito confuso, as pessoas diziam que não era bem assim. Achei que os soviéticos iriam fechá-lo e eu precisava voltar para casa."

Do lado de Berlim Ocidental, as companheiras Hella Lütke, 72, e Edith Schmitz-Reater, 65, fizeram o mesmo. "Não podia acreditar no que estava ouvindo. Fui para a rua ter certeza", conta. As duas seguiram então para a Bernauer Strasse, um dos pontos onde o muro fora construído. Hella, que era enfermeira, jura que levou uns pedaços dele -que estão na casa de um irmão no interior.

Na manhã seguinte, 10 de novembro, as duas pegaram o carro e, pela primeira vez, foram conhecer Berlim Oriental. Meyer, hoje taxista, fez o caminho contrário. "Acordei e vi que não tinham fechado o muro. Larguei o trabalho e disse para um amigo: vamos que isso aqui vai ser histórico".

Balões Neste domingo (9), às 19h, exatamente 25 anos depois, Klaus, Hella e Edith estarão em algum ponto de Berlim celebrando o fim do muro que dividiu não só a capital de um país, mas famílias e amigos.

Pelo menos 137 alemães morreram tentando atravessá-lo. Outros cinco mil conseguiram furar o bloqueio. 

Cerca de dois milhões de pessoas são esperadas nas ruas da cidade para soltar os 8.000 balões iluminados que reproduzem, desde a sexta-feira (7), 15 dos 156 quilômetros do percurso do muro.

Os balões percorrem, por exemplo, o Portão de Brandemburgo e a região do Check-Point Charlie, barreira controlada na época pelos aliados do ocidente. Também contornam a East Side Gallery e a rua Bernauer Strasse, que ainda preservam pedaços originais do muro.

O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, responsável pelas reformas nos anos 80 que pavimentaram o caminho para o fim do comunismo no leste europeu, chegou na cidade na sexta (7) para a celebração.

FOLHAPRESS

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