Recifenses usam app para chamar coleta de lixo reciclável

Relix foi lançado em setembro e está disponível gratuitamente para Android e IOS; orçado em R$ 4 milhões, o projeto tem patrocínio do Sesi

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Pelo aplicativo, é possível tanto solicitar coleta em domicílio quanto localizar pontos de entrega para levar o material. Mais de cem profissionais ligados a cooperativas estão cadastrados.

Para José Cardoso, 61, catador há 30 anos, a ferramenta digital aproxima sua categoria do restante da sociedade, dirimindo o preconceito.

'Isso começa a desmistificar essa ideia de marginalidade. A sociedade passa a ver o catador como um trabalhador, passa a nos olhar como empreendedores que somos', diz Cardoso, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

O Relix foi lançado em setembro e está disponível gratuitamente para Android e IOS. O aplicativo faz parte de um projeto homônimo desenvolvido pela produtora cultural Lina Rosa a pedido do governo estadual.

Orçado em R$ 4 milhões, o projeto tem patrocínio do Sesi. No fim do mês, cooperativas irão receber cem bicicletas adaptadas para substituir as carroças atuais, além de bonés, luvas e camisas com proteção solar.

Os próprios catadores ajudaram a desenvolver o design da bike, cujo bagageiro comporta meia tonelada de lixo. Além disso, um espetáculo está percorrendo escolas públicas e indústrias de 23 municípios pernambucanos para estimular a reciclagem.

Nas escolas visitadas, são instaladas lixeiras seletivas para acomodar os detritos até o recolhimento. Os alunos também recebem uma cartilha ilustrada e os professores, um plano de aula para trabalhar o assunto.

INÍCIO DISCRETO Por enquanto, o uso ainda é tímido: cerca de 400 downloads até o início da semana. A catadora Luciana Borges, 37, diz ter feito seis atendimentos em pouco mais de um mês. 'É muito pouco ainda, e a maioria dos atendimentos é domiciliar. As empresas ainda estão fora do circuito', afirma Borges, que trabalha no ramo há 11 anos.

O Recife é a sétima capital brasileira que mais gera lixo: 1,290 quilos diários por habitante, ante 1,213 na média nacional, segundo levantamento da ONG Footprint Network. 

Agora, a idealizadora do projeto pretende inscrevê-lo na Lei Rouanet para conseguir levá-lo a outros Estados.

FOLHAPRESS

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