História diante dos olhos

iG Minas Gerais |

Se a estúpida humanidade moderna conseguir encontrar uma alternativa para a já indiscutível falta de água potável, não se afogar em montanhas de lixo e se adaptar a um planeta desértico, imerso em uma nuvem de poluição causada pela emissão desenfreada de gases da queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento de nossas florestas, daqui há 50, 100, 200, 500 anos, a primeira metade dos anos 2010 será lembrada e contada aos nossos pobres filhos, netos, bisnetos, tataranetos e seguintes ancestrais como os melhores tempos do futebol mineiro, culminando em um 2014 sensacionalmente inesquecível. A final da Copa do Brasil entre Atlético e Cruzeiro coroa anos de investimentos em estrutura, gestões atuais que priorizaram arrumar a casa e uma rivalidade sadia, que empurra os dois clubes para frente por receio de ficar atrás do maior “concorrente”. Seja qual for o campeão, Minas Gerais sai ganhando, e muito. Entretanto, essa é a visão de quem milita na crônica esportiva do Estado como profissional, e não da esmagadora maioria dos torcedores, que quer ver o seu time vencer o maior rival no duelo mais importante dessa maravilhosa trajetória de um dos maiores clássicos do país, e porque não dizer, do mundo. Para os cruzeirenses, que há meses apenas contam os dias para comemorar o segundo Brasileiro em dois anos, seria o êxtase total: conquistar a segunda tríplice coroa com um título em cima do Atlético, e ainda deixar o Galo seguir na fila de décadas sem uma taça nacional. Já para os atleticanos, sair dessa fila justamente em cima da Raposa e, de quebra, impedir o coroamento de uma quase segunda tríplice conquista, não há nada melhor. Haja coração, e também respeito. Por falar nisso, lembrando a já citada estupidez do ser humano, mesmo que os dois jogos fossem no Mineirão, acho que deveriam ser com torcida única. Achar não quer dizer desejar. Em um mundo ideal, que nunca existirá, seria muito legal ver o Mineirão dividido, mas a realidade é outra. Embora as autoridades sempre digam que têm condições de garantir segurança com duas torcidas, o que estamos assistindo nos últimos anos é justamente o contrário; e não só por eventuais falhas nos esquemas de segurança, que sempre sobram para a pobre Polícia Militar, a ponta de uma estrutura toda errada. As leis frouxas de nosso país e os exemplos dos bandidos que ocupam cargos públicos são o maior incentivo para tanta violência. A PM não pode estar em todas as esquinas da cidade e, pior, nem pode se manifestar a favor de torcida única. Aos que dizem que torcida única é a vitória dos baderneiros, digo que é prudência e responsabilidade daqueles que prezam a vida humana. Porém, ontem, inexplicavelmente e irresponsavelmente, decidiu-se, ao contrário do que os clubes vinham manifestando antes mesmo da final se confirmar, que haverá 10% da carga de ingressos para a torcida do time visitante. Detalhe: os dois jogos serão à noite. Espero que não se manche com sangue e com vidas os dois maiores clássicos da história. Inacreditável!!! Quanto ao fato de o Atlético ter levado seu jogo para o Independência, é um direito que deve ser respeitado e uma decisão compreensível do ponto de vista técnico. Não há dúvida de que o Cruzeiro se sente mais a vontade no Mineirão do que no Independência, que os dois maiores clássicos de todos os tempos deveriam ser no maior palco do futebol mineiro e que o Atlético vai ganhar menos dinheiro. E não há dúvida que opiniões divergentes sempre existirão, ainda bem. Livre arbítrio. Claro que muita gente quer estar em dois jogos mais do que especiais como esses, mas não tem lugar para todos. Nem por isso é preciso tratar o torcedor como gado, tanto na fila para comprar ingresso quanto para entrar nos estádios. Sei que é difícil fazer o apaixonado torcedor entender isso, mas se você vai em um lugar pela primeira vez é muito mal tratado, volta nesse lugar só se quiser.

Dispensas. Como já venho escrevendo, passava, e muito, da hora de Jô ser desligado do Atlético. O que não deu para entender é o fato de André e Emerson Conceição, que não vinham jogando nada e parecem não ter mais mercado, não receberem as mesmas duas primeiras chances que o atacante da seleção brasileira na Copa do Mundo teve, mesmo também jogando muito mal. Dois pesos e duas medidas.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave