Madeireiras usam dados do Ibama para evitar fiscalização

Acusado de segurar informação de desmatamento por motivo eleitoral, diretor citou outro motivo

iG Minas Gerais | Da redação |

Floresta Amazônica. Jornal aponta que somente em agosto e setembro deste ano a área cortada da mata é de 1.626 quilômetros quadrados
Andre Penner
Floresta Amazônica. Jornal aponta que somente em agosto e setembro deste ano a área cortada da mata é de 1.626 quilômetros quadrados

SÃO PAULO. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Volney Zanardi, afirmou nesta sexta que “não existem indícios” de aumento de desmatamento na Amazônia e negou que o órgão tenha “segurado” a divulgação de dados por motivos eleitorais.  

Segundo a direção do Ibama, o órgão tem evitado a divulgação de dados do desmatamento para evitar que sejam usados pelo crime organizado para fugir das ações de fiscalização. O diretor de proteção ambiental do Ibama, Luciano de Meneses Evaristo, afirmou que o crime organizado estava usando as informações do sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) para fugir das fiscalizações.

“Quando eu coloco os dados na tela, o criminoso pega aquilo ali e vai olhar onde tem o polígono do desmatamento e onde vai o Ibama. ‘Ih, o Ibama me pegou. Atenção pessoal, vamos sair da área’”, afirmou.

“Muitos dizem que o Ibama esconde os dados: o Ibama esconde os dados do bandido, é isso que você tem que começar a entender”, disse Meneses.

Denúncia. Nesta sexta, o jornal “Folha de S.Paulo” publicou uma reportagem segundo a qual foram desmatados 1.626 quilômetros quadrados na Amazônia em agosto e setembro, o que representa aumento de 122% sobre o mesmo período de 2013.

Os dados, ainda não tornados públicos, são do Deter, levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ainda segundo a reportagem, o número não foi divulgado durante as eleições para evitar danos à campanha da presidente Dilma Rousseff.

Zanardi e o presidente do Inpe, Leonel Fernando Perondi, argumentaram que o Deter é um monitoramento feito com imagens de baixa resolução que mapeiam locais com suspeita de desmatamento. Os mapas gerados pelo Deter, disseram, incluem áreas de possível desflorestamento que muitas vezes acabam não se confirmando, razão pela qual não são usadas para medir o real corte na região amazônica.

“Esse número não serve como indicador da taxa anual de desmatamento da Amazônia”, alegou Zanardi.

As imagens coletadas pelo Deter, de acordo com o Diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Menezes, podem incluir espelhos d'água e locais afetados por incêndios ou mesmo afloramentos rochosos, não estando necessariamente relacionadas à extração de madeira. O Deter, disse, é utilizado para orientar o trabalho de campo dos agentes do Ibama.

Segurança Mudança. Ibama e Inpe vão mudar a metodologia de divulgação de dados para manter em sigilo os locais onde fiscais vão atuar no floresta.

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