Ministério gera briga no PMDB

Integração é alvo de disputa entre senadores e seria ‘compensação’ por perder Minas e Energia

iG Minas Gerais |

Confiança. Após desencontro na Câmara, o vice-presidente Michel Temer disse que o PMDB é governo
ANDRE DUSEK
Confiança. Após desencontro na Câmara, o vice-presidente Michel Temer disse que o PMDB é governo

Brasília. O PMDB já considera como seu o Ministério da Integração Nacional caso a presidente Dilma Rousseff conceda o Ministério da Educação para Cid Gomes (PROS), que deixa no final do ano o governo do Ceará depois de dois mandatos. O PMDB, contudo, deve enfrentar um embate interno entre os senadores Eduardo Braga (AM) e Vital do Rêgo (PB) na disputa por essa nova vaga. Atualmente o Ministério da Integração, está sob comando de Francisco José Coelho Teixeira, do PROS.  

Braga é líder do governo no Senado, posição que o aproximou de Dilma nos últimos dois anos. Depois de perder a eleição, o parlamentar amazonense começa a se articular para viabilizar como ministeriável. Ele, contudo, não tem apoio da maioria da bancada peemedebista no Senado, que vê Braga como um articulador que joga apenas para si e não para o partido.

Vital do Rêgo, que esteve cotado para Integração no ano passado, é o favorito do PMDB do Senado para comandar a pasta a partir de 2015. Pesa a favor dele o fato de o Ministério da Integração ser uma pasta com programas voltados para o Nordeste, especialmente com ações de combate à seca no sertão.

A ala peemedebista no Senado entende também que atuação do senador paraibano na condução em momentos politicamente estratégicos durante as CPIs do Cachoeira, em 2012, e da Petrobras, ainda em andamento, merece ser recompensada. “O Vital conseguiu reduzir um relatório de 3.000 páginas em um de apenas sete páginas na CPI do Cachoeira. Isso não merece um reconhecimento?”, diz um peemedebista.

Os peemedebistas teriam sinalizado à presidente Dilma que o Ministério da Integração Nacional seria uma forma parcial de compensar a perda do Ministério de Minas e Energia (MME), ocupado hoje pelo ministro Edison Lobão (MA). Ele deve sair da pasta, na qual Dilma pretende fazer uma faxina em meio à crise no setor elétrico e na Petrobras. O PMDB entende que pode perder o MME em razão das denúncias de corrupção na estatal, mas a pasta ainda está “na lista de desejos” da legenda, segundo um peemedebista.

Apesar de enxergar Integração como um sexto ministério para o partido, que ocupa atualmente cinco pastas, o PMDB mira também no Ministério das Cidades para compensar a perda de Minas e Energia. Para isso, o partido confia em um desgaste do PP nas denúncias envolvendo a sigla comandada pelo senador Ciro Miranda (PI) na CPI da Petrobras.

O Ministério das Cidades é cobiçado por administrar os programas Minha Casa, Minha Vida e o PAC da Mobilidade Urbana, cujos orçamentos bilionários superam o Ministério da Educação.

Oposição

Apoio. O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, reiterou a importância da sigla neste mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) e, disse não ter dúvidas de que a legenda ocupará posições de destaque no governo, compatíveis com o seu tamanho.

Aliança. “Não somos aliados do governo, somos o governo", disse Temer., em entrevista nesta sexta ao jornal “Destak”.

Candidatura. Indagado se o partido continuará com os cinco ministérios, Temer disse que a decisão é da presidente Dilma. "Ela terá sensibilidade para verificar o tamanho do PMDB e o que entrega ao PMDB. Não por ser um partido aliado, mas por ser um partido que está no governo”, disse.

Educação O ministro da Educação, Henrique Paim (PT), disse nesta sexta que ainda não discutiu com a presidente Dilma Rousseff sua eventual permanência no cargo no segundo mandato da petista. O Ministério da Educação é alvo de disputa interna do PT, que não pretende abrir mão do controle da pasta no novo governo. O orçamento do MEC é de cerca de R$ 100 bilhões. São cotados para assumir a pasta os governadores Cid Gomes (PROS) e Tarso Genro (PT). Corre por fora o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG).

Economistas lançam manifesto São Paulo. Um grupo de mais de 700 economistas assinou um manifesto online criticando a ideia de que a austeridade fiscal e monetária seja o único meio para resolver os problemas brasileiros. “Esperamos contribuir para que os meios de comunicação não sejam o veículo da campanha pela austeridade sob coação e estejam abertos para o pluralismo do debate econômico”, diz o texto. O manifesto argumenta que o projeto econômico vencedor da eleição foi o desenvolvimentista.

Partido minimiza Panos quentes. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho (SP), minimizou nesta sexta a declaração da presidente Dilma Rousseff em entrevista de que não representa o partido e que as ideias petistas não a influenciam. Todos. “Essa entrevista não reflete a prática. O que é ótimo, porque acho que ela não tem de ouvir só o PT, mas todos os partidos”, afirmou Vicentinho. Bombeiro. Antes de Vicentinho, o presidente do PT, Rui Falcão, já tinha relativizado a declaração: “Ela é presidente do país”

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