SPFW vive maioridade

Evento faz aniversário, e mantém ar refresco e atual

iG Minas Gerais | Deborah Couto e Silva |

O tricô esperto da mineira Gig foi uma das novidades da 38ª temporada do São Paulo Fashion Week de inverno
Francisco Cepeda/AgNews
O tricô esperto da mineira Gig foi uma das novidades da 38ª temporada do São Paulo Fashion Week de inverno

Com 20 anos de história, o São Paulo Fashion Week vem mostrando corpinho enxuto em sua edição de inverno 2014. Montada no parque Cândido Portinari (anexo do Parque Villa-Lobos, região Oeste de São Paulo), sua estrutura é complexa, mas sucumbiu à simplicidade que a vida contemporânea pede. O classudo restaurante de outrora foi substituído por uma praça de alimentação de food trucks localizada em um deck de madeira com cara de sustentável. Até a chuva, que há tanto tempo andava sumida, veio dar o ar de sua graça justamente na semana de moda. Ninguém se importou. Que São Pedro abençoe a chegada dos novos tempos (e encha a Cantareira!). 

O clima combina com a atual proposta de mulher “ideal” contemporânea. Ela é assim, meio bagunçadinha, mas muito chique. É ela que vemos nas passarelas, mas também nos corredores da vida real. Há sempre a turma das irrealmente arrumadas. Em moda, afinal, todas essas imagens surgem de uma construção. A primeira, no entanto, é bem mais possível. E é essa a ideia.    A imagem mostrada em grande parte dos desfiles é lânguida, de uma sensualidade comportada. O comprimento mídi é dominante e a saia da vez tem modelo lápis. Fica bem com tudo, sobretudo com peças com grandes volumes na parte de cima. A alfaiataria é outra aposta certeira. A maquiagem quer se fazer invisível, a velha e boa beleza natural. Cabelos idem. Muitos penteados para trás, ao meio, de lado. A ideia é descomplicar. Um “tapinha” de produto para assentar a juba e pronto, pode sair de casa.    O evento teve entre seus melhores a estreia do baiano Vitorino Campos na Animale. Sua entrada na equipe criativa da grife deu outro tom. Teve também o début da mineira Patricia Bonaldi, com sua grife jovem Pat Bo. Sua enxuta coleção é rica e extremamente desejável. Incrível também a parceria entre Iódice – que teve reestreia no evento – e Doisélles, marca que tem seu tricô produzido por detentos de um presídio de segurança máxima em Juiz de Fora, um trabalho fantástico da estilista Raquell Guimarães. Teve Gisele sendo Gisele na Colcci. A dona do catwalk mais hipnótico do mundo também celebra 20 anos de passarelas, cada dia mais linda.    Bicolor   Para o próximo inverno, azul pode, sim, ser a cor mais quente. Vitorino Campos, por exemplo, apresentou coleção inspirada em filme temático da trilogia de Krzysztof Kieslowski, levou uma alfaiataria impecável e tecidos muito leves à passarela, além de saias lápis com um jogo interessante de zíperes. A cor também apareceu na melhor sequência da Triton, em um tom um pouco mais claro. E, bem mais fechado, pontuou a coleção de Giuliana Romano. Mas há quem fique no tradicional vermelho, como propõe Ronaldo Fraga, em sua cidade sonâmbula de mulheres com corpo inteiro pintado no tom e estampas do grafiteiro Nilo Zack. Ou Giuliana Romano, em sua femme fatale anos 40.    O momento também não poderia ser melhor para os mineiros. Não só de política e Copa do Brasil se faz a fama, mas também de moda. Há mais de dez anos que não tínhamos tantas grifes da terra desfilando no evento (são seis), quatro estreias (Llas, Pat Bo e Apartamento 03 e Gig), desfiles emocionantes e uma sensação maravilhosa de que esse reconhecimento (pelo menos em nosso métier) está só começando.   

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