Sereia

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Calcanhotto volta com “Olhos de Onda” a BH
Leo Aversa/Divulgação
Calcanhotto volta com “Olhos de Onda” a BH
Quando dou por mim, já acabou”, define Adriana Calcanhotto sobre a naturalidade com que toca o show “Olhos de Onda”. Na próxima sexta (14), ela traz novamente a turnê da apresentação solo a Belo Horizonte. Desta vez, o Palácio das Artes é o palco para o qual todos os olhares estarão voltados e a previsão do tempo garante: a maré estará para pérolas.   Com ciclo iniciado em Portugal, de onde partiu o convite original, o repertório da apresentação acabou pautado pelo mar – por quem a cantora gaúcha nutre uma admiração fora do comum. Na inédita que dá nome ao show, inclusive, ela homenageia, ao mesmo tempo, Lisboa e o movimento das águas, refletidos em algum par misterioso de olhos. Em outros momentos, ela revisita sucessos como “Seu Pensamento”, “Três”, “Sem Saída” e “Para lá”, do disco “Maré” (2008) e “Vambora”, de “Marítimo” (1998). “Maresia” também costuma aparecer com frequência no bis, reiterando o quanto Adriana trocaria tudo para ter sido um marinheiro.    Espetáculo de transição, “Olhos de Onda” marca recomeços: Adriana precisou reaprender a tocar o violão. Depois de um ano e meio “de castigo” por causa de uma cirurgia no pulso, aproveitou o compromisso em Portugal para acelerar o processo de fazer as pazes com o instrumento.   “Em determinado momento, por uns três dias pensei em como seria se eu nunca mais pegasse no violão para tocar. No quarto, recebi o chamado de Portugal”, conta Calcanhotto, que diz ter montado o repertório ainda longe das cordas. “Pensei no que as pessoas gostariam de ouvir. São canções que eu não cantava há muito tempo, mas que permaneciam frescas na minha memória. Passei pelo período de reaprender, e naturalmente passei a tocá-las de outro jeito. A partir de como elas soaram fui escolhendo as outras. É um roteiro que nasceu redondo”, diz, feliz em ver, nessa revisita à sua discografia, que canções que fez “sozinha, em casa, marcaram a vida das pessoas”. “A partir do momento em que elas estão no mundo, elas já não são minhas, mas é muito legal poder dividir isso com o público mais uma vez”.    Além-mar   A sina de Calcanhotto, contudo, é navegar em mares mais literários do que literais. É realizar o desejo da menina que aos 14 anos ouvia pelo rádio a voz de Vinícius de Moraes, de Maria Bethânia recitando Pessoa, de Fagner cantando Ferreira Gullar e decidiu dedicar sua vida a levar mais poesia para a vida das pessoas – seja como a sereia que empresta a melódica voz a belos versos ou como embaixadora da poesia brasileira. Neste sentido, as duas publicações por ela organizadas e lançadas recentemente ( “Haicai no Brasil” e “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira”) e as versões de “Me Dê Motivo” (de Michael Sullivan & Paulo Massadas, que Tim Maia tomou para si) e “Black to Black” (da inglesa Amy Winehouse), que ela encaixa no roteiro do show, servem a este mesmo propósito.    “Essas são duas músicas que eu gosto muito de desnudar dos arranjos originais, muitos cheios. A canção, quando básica, ganha muito em poesia. O arranjo do Tim (que fez com que até eu pensasse que a música era dele), é lindo, mas acho que o sofrimento daquele homem não condiz com os metais. Quando um homem chora de amor é escondido dele mesmo. Nesse ponto é muito legal ser intérprete: poder mostrar como eu vejo aqueles versos”, explica Adriana, confessando que já conquistou mais do que ousou sonhar, mas que não é do tipo que se sente bem na zona de conforto. “Não sou do temperamento que sossega. Quando cumpro uma missão, já tem logo mil outros desafios me esperando”.    O ofício de compositora, inclusive, é um dos mais recorrentes. “Quem escreve me entende: você nunca sabe se vai conseguir escrever a próxima depois de finalizar uma música. Então, qualquer canção que eu escrevo é uma alegria”, declara, ao que adianta sobre as que tem escrito pelos camarins, quartos de hotel e aeroportos: “elas ainda não configuram um projeto. Algumas tenho dado para intérpretes que me pedem. A Roberta Sá recebeu algumas. A Gal também vai gravar outra. Elas não têm ainda cara de disco meu”.   Adriana Calcanhotto Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Sexta (14), às 21h. R$ 140 (plateia 1, inteira), R$ 120 (plateia 2, inteira), R$ 100 (plateia superior, inteira).

 

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