Dólar sobe pelo 6º dia e renova maior valor desde 2005

Moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, encerrou o pregão em alta de 0,68% sobre o real, cotado em R$ 2,569 na venda

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O dólar voltou a fechar em alta nesta sexta-feira (7), apesar de ter reduzido a valorização sobre o real durante a tarde, com a avaliação positiva dos números do mercado de trabalho dos EUA amenizando o clima de cautela com a política econômica brasileira.

A moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, encerrou o pregão em alta de 0,68% sobre o real, cotado em R$ 2,569 na venda. É o maior valor desde 19 de abril de 2005, quando estava em R$ 2,585. Na semana, houve valorização de 4,10%.

Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 0,03% no dia e 3,43% na semana, para R$ 2,563 --também o maior valor desde 19 de abril de 2005, quando estava em R$ 2,575. Foi a sexta alta consecutiva da moeda americana.

Segundo analistas, os investidores receberam com bons olhos os dados do mercado de trabalho americano em outubro. No mês passado, a taxa de desemprego nos EUA caiu para 5,8%, o nível mais baixo desde junho de 2008. A geração de vagas, no entanto, ficou abaixo do esperado pelo mercado. Foram criados 214 mil novos postos, enquanto a estimativa girava em torno de 235 mil.

"Apesar de ter vindo um pouco abaixo da mediana, [a geração de vagas nos EUA] ainda é forte. Manteve inalterada a melhora no mercado de trabalho americano e não deve alterar o rumo da política monetária naquele país. Assim, o mercado repercutiu positivamente o fato de que os juros continuarão perto de zero no médio prazo", diz Luis Gustavo Pereira, analista da Guide Investimentos.

O foco do mercado, porém, continua na política econômica brasileira, o que tem pressionado a cotação da moeda americana. Operadores disseram que enquanto não houver uma definição sobre como ficará a equipe econômica do governo nos próximos anos, o dólar deve continuar subindo.

"O mercado vai continuar se protegendo no dólar enquanto não tivermos mais detalhes sobre o futuro", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo. "A situação está tão incerta agora que, quando não tem notícias que poderiam mexer com o mercado, o dólar sobe", disse o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca.

Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que o nome do novo ministro da Fazenda deverá ser divulgado somente depois da reunião do G20, que ocorre nos dias 15 e 16 de novembro, na Austrália.

Bolsa

Após ter caído até 1,92% ao longo do dia, o principal índice da Bolsa brasileira retomou o fôlego durante a tarde e fechou esta sexta-feira no azul, amparado na retomada dos papéis de Petrobras e Vale. Mesmo assim, o indicador encerrou a semana em baixa.

O Ibovespa teve valorização de 1,11%, para 53.222 pontos. Na semana, o índice registrou desvalorização de 2,57%, após ter subido mais de 5% na semana passada.

"Por mais que o relatório de emprego americano seja importante, o mercado está mais sensível ao noticiário doméstico. A virada da ação da Petrobras foi determinante para puxar o Ibovespa para cima", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

"O Ibovespa parou num ponto bem importante, um suporte. Nós já temos um número que pode determinar o comprometimento da tendência de baixa do índice, que é 54.630 pontos. Se subir para algo além disso, vai buscar os 58.000 pontos", acrescenta.

As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras, que chegaram a cair 3,84% ao longo do dia, se recuperaram e encerraram o pregão com alta de 1,49%, para R$ 14,27 cada uma. Na semana, porém, houve queda de 6,61%. Foi a quarta semana consecutiva que esses papéis fecharam no vermelho.

A desvalorização refletiu a expectativa pelo anúncio de reajuste nos preços dos combustíveis, que só veio na noite desta quinta. A petroleira elevou o preço da gasolina em 3% nas refinarias. O diesel sofreu aumento de 5%, também nas refinarias. Este foi o primeiro reajuste desde 29 de novembro de 2013.

Repercussão A avaliação de analistas é que o reajuste ficou abaixo do esperado pelo mercado, mas deve melhorar a receita e o Ebitda (indicador de geração operacional de caixa) da estatal no médio prazo.

"Em função da forte queda das cotações do petróleo e dos derivados, os preços no Brasil já estão em linha com o mercado externo. Como a empresa vem desenvolvendo um programa muito forte de investimentos com dispêndios superiores à sua geração de caixa, a combinação de preços defasados e gastos elevados fez seu endividamento crescer 156% nos últimos quatro anos", disse a equipe de análise da Planner Corretora, liderada por Mario Mariante, em relatório.

"Dessa forma, apesar de não ser necessária hoje a equalização dos preços, esta correção contribui para 'pagar' perdas passadas da Petrobras, permitindo ainda a elevação da geração de caixa, o que reduz os índices de endividamento", completou a corretora, que prevê elevação da receita anual em R$ 6,7 bilhões e do lucro líquido em R$ 4,4 bilhões, após o reajuste.

A equipe de análise do Citigroup afirmou, em nota, que o ajuste dos preços elevará o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em inglês; uma medida de geração operacional de caixa) anual da estatal em R$ 5,7 bilhões, mas ficou abaixo de suas premissas. "Vemos o aumento como positivo para a ação."

Ações

Além da Petrobras, a alta das ações da mineradora Vale também ajudou a sustentar o ganho do Ibovespa no último pregão da semana. Os papéis preferenciais da empresa subiram 1,72%, a R$ 20,70 cada um, devolvendo parte das perdas registradas nos últimos dias diante da queda nos preços do minério na China.

As ações da ALL, BR Properties e da Copasa caíram após a MSCI anunciar a exclusão dos papéis de seu índice global para o Brasil. Nenhum novo papel foi incluído na composição do índice, que é uma importante referência para investidores estrangeiros que investem no país. A ALL cedeu 2,42%, a R$ 6,46, enquanto a BR Malls recuou 3,61%, a R$ 11,20 e a Copasa teve desvalorização de 5,39%, a R$ 24,40.

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