Cláudio Hannibal quer colocar Uberlândia no calendário anual do UFC

Anfitrião de evento que acontece neste sábado, lutador conta como superou histórico de azarão e até mesmo uma depressão para realizar o sonho de lutar em casa

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Hannibal terá como oponente o inglês Leon Edwards
Divulgação/Facebook
Hannibal terá como oponente o inglês Leon Edwards

E a trajetória de sucesso do UFC tem a partir deste sábado uma nova rota. Pela primeira vez na história, Uberlândia receberá uma edição do maior evento de artes marciais mistas do mundo. E o evento tende a ser especial, não só por colocar Maurício 'Shogun' Rua novamente em foco na organização, mas por trazer aos fãs muito mais do que espetáculo, e sim histórias de vida que ultrapassam os limites dos octógonos, fazendo com que os lutadores, visto quase sempre com olhares de super-homem, se aproximem de nós.

Uma destas histórias traz a assinatura do lutador da categoria meio-médio Cláudio Silva, uberlandense da gema e que carrega consigo o apelido de Hannibal, fruto de uma admiração pelo personagem interpretado por Anthony Hopkins, no thriller policial que ganhou vários fãs na década de 90. Por intermédio do tio, passou a usar a famosa máscara do doutor macabro em todas as suas entradas antes dos combates. “Eu precisava ter uma entrada diferente, o lutador não tem que aparecer só na hora da luta. Repercutiu bem, agora é minha marca registrada”, brinca o lutador.

Mas a história do lutador, que neste sábado entra no octógono como o legítimo dono e campeão da casa, começa bem antes, mais precisamente no Bairro Tocantins. “Cresci em um dos bairros mais violentos e pobres de Uberlândia.  Aprendi muita coisa neste bairro, e também a parte de ter que lutar todo o dia porque era um bairro violento, isto fazia com que a gente, desde criança, lutasse todos os dias”, relata.

E foi neste ambiente que ao invés do futebol com os colegas, Cláudio escolheu a luta como seu principal objetivo de vida., com o total apoio do seu Waldemar, seu pai. “Nunca pensei em outro esporte. Quando eu era criança comecei no karatê, fui para a capoeira, jiu-jitsu e depois eu já sonhava em lutar MMA”, destaca.

Não faltaram dificuldades para atingir o objetivo. A família recuou, não via o garoto com tanto potencial. “Minha mãe chegou a queimar meus quimonos”, lembra o lutador, que completa “mas eu nunca desisti”. E na base da persistência transformou a mãe em sua maior apoiadora. “Se hoje estou aqui no UFC foi pela minha mãe, porque ela sempre falou que nós nascemos para vencer e ser campeões”, conta.

O início no mundo das artes marciais mistas só se deu na Europa, mais precisamente na Inglaterra, país onde tentou a vida como professor. Pouco tempo depois, ingressou no mundo das lutas, participando de eventos como WFC, EFC e Bamma, e em todos era apontado como o grande azarão. Um 'underdog' que não se intimidou com as críticas e venceu todos os seus combates.

A depressão e a glória

Mas na história de um vencedor também há espaço para quedas. Mesmo após ingressar no UFC com vitória sobre Brad Scott, Claudio entrou em depressão. A falta de apoio levantou dúvidas gigantescas sobre sua permanência no esporte, porém, mais uma vez, o menino do Bairro Tocantins, contragolpeou. 

“Fiquei muito mal, estava fora de forma não queria nem treinar, não tinha motivação para nada, mas eu sou guerreiro, o MMA está no meu DNA. Se eu não treinar todo o dia parece que me falta o ar. É por isto que eu não vou nunca deixar de treinar”, relata.

Claudio então retomou sua rotina de treinos e foi, por um lance do destino, premiado com a possibilidade de lutar justamente na cidade onde tudo começou. Neste sábado, ele entra no octógono para enfrentar o inglês Leon Edwards, curiosamente em seu primeiro duelo com torcida a favor. E ele promete honrar as tradições do Triângulo Mineiro.

“A melhor coisa do mundo é jogar contra a torcida e estragar a festa do adversário na casa dele. Foi isto que eu fiz minha vida inteira. Tendo a torcida a meu lado agora, eu vou ficar ainda mais forte. Se antes eu era forte, agora eu sou invencível”, diz.

“É muito bom ser o garoto propaganda de Uberlândia no UFC e no mundo todo, melhor ainda é colocar minha cidade, que nunca teve tradição em eventos de luta, no mapa mundial do MMA . Vamos provar que Uberlândia não vai sediar apenas um evento, mas que podemos sim estar no calendário mundial e anual do UFC”, complementa.

Festa no bairro de nascimento

E a primeira luta de Hannibal em casa merece uma festa digna de final de Copa do Mundo. O lutador adianta que já tem celebração armada na praça principal do Bairro Tocantins. Todo mundo quer ver o orgulho da comunidade em ação.

“Eu queria levar meu bairro todo, eu sei que lá no meu bairro eles irão fazer uma grande festa. Sei que vai ter churrasco, samba no dia da luta, e quando eu luto meu bairro para, é igual Copa do Mundo no Brasil. Os caras botam telões, eu vou até pedir para colocar um telão na praça para que todos os moradores vejam. Da última vez, eles fizeram isto. É algo que me motiva muito e me deixa muito feliz”, diz.

Estratégia para a vitória

Invicto há dez lutas, Cláudio já tem a a estratégia pronta para vencer Leon Edwards. Não tem esta de recuar. O inglês sentirá o braço pesado do uberlandense.  “A estratégia é sempre a mesma, bater sem apanhar, terminar a luta o mais rápido possível, me manter invicto e trazer mais esta vitória para o Brasil, para a minha cidade e para o meu bairro”, finaliza.

Shogun busca recuperação

Campeão dos meio-pesados em um passado não muito distante, Shogun anda decepcionando o público brasileiro. Em Uberlândia, o experiente lutador terá a chance de se recuperar da derrota para Dan Henderson, no UFC Fight Night 38, em Natal. O adversário será o norte-americano Ovince St. Preux, que também vem de derrota para o compatriota Ryan Bader, em agosto deste ano.

Curiosidade. Esta será a terceira vez que o UFC será disputado em Minas Gerais, a primeira no Triângulo Mineiro.

Veja o card do UFC: Shogun x St. Preux

8 de novembro de 2014, em Uberlândia (MG)

CARD PRINCIPAL Peso-meio-pesado: Maurício Shogun x Ovince St. Preux Peso-mosca: Ian McCall x John Lineker Peso-meio-médio: Warlley Alves x Alan Jouban Peso-meio-médio: Cláudio Hannibal x Leon Edwards Peso-palha: Juliana Lima x Nina Ansaroff

CARD PRELIMINAR Peso-pena: Diego Rivas x Rodolfo Rubio Peso-médio: Caio Monstro x Trevor Smith Peso-meio-médio: Dhiego Lima x Jorge Blade Peso-leve: Leandro Buscapé x Charlie Brenneman Peso-galo: Thomas Almeida x Tim Gorman Peso-meio-médio: Wagnão Silva x Colby Covington

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