Homem é solto após passar sete meses na cadeia injustamente

Homem foi preso por um crime cometido em Rio Claro, no interior de São Paulo, cometido por uma pessoa com o mesmo nome que ele; advogado pretende processar o Estado

iG Minas Gerais | Cinthia Ramalho |

"Agora eu estou verdadeiramente livre". Foi com um sorriso no rosto e com os olhos cheios de lágrimas que José Ricarte Rodrigues, de 32 anos, conversou com exclusividade com o Super Notícia, depois que a justiça reconheceu sua inocência, na semana passada. Rodrigues foi preso injustamente por um roubo qualificado registrado em Rio Claro, interior de São Paulo, depois que um homem teria usado documentos dele para cometer o crimes.

Rodrigues conta que passou por momentos de terror no período que esteve preso. Longe da família, ele não teve coragem de contar para os filhos, uma menina de 6 anos e um menino de 3, porque estava preso. “Meus filhos chegaram a me visitar na prisão, mas eu falava que estava lá a trabalho. Tinha vergonha e acho que eles não tinham que passar por isso”, contou.

Ele ainda conta que, como sustentava a família com o salário de pedreiro, ao ser preso e ter que abandonar o emprego, a família ficou sem renda e começou a passar por dificuldades. Por isso, a esposa dele teve que se mudar com os filhos para Goiânia, onde passaram a viver na casa de parentes.

Rodrigues afirma que pretende processar o Estado, porém, agora, o seu maior objetivo é tentar retomar a vida, o que ele considera ser uma tarefa muito difícil. “Mesmo sendo inocente, sou um ex-preso. As pessoas me apontam na rua por isso, tive dificuldades em conseguir outro emprego com carteira assinada e, agora, trabalho como autônomo”, relata.

Caso

Segundo Dino Miraglia, advogado de Rodrigues, ele foi preso em agosto de 2013, quando a mulher dele acionou a Polícia Militar (PM) após um desentendimento entre o casal. Na época, foi constatado que havia um mandado de prisão em aberto em desfavor de uma pessoa com o nome José Ricarte Rodrigues e, mesmo declarando-se inocente, o homem foi levado ao Ceresp de Contagem, onde passou sete meses. Após este período, ele recebeu o benefício do livramento condicional.

Segundo Miraglia, o engano foi desfeito depois que exames datiloscópicos de Rodrigues foram enviados ao Instituto de Criminalística de São Paulo, que comparou com os dados do suspeito detido por lá e constatou que não se tratava da mesma pessoa.

A suspeita é de que Rodrigues tenha sido vítima de estelionato. De acordo com o advogado, ele teve a certidão de nascimento furtada quando era adolescente e este documento teria sido usado pelo estelionatário para servir ao Exército e também para tirar um título de eleitor.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave