Torcida do Atlético já está na fila para venda de ingressos na terça

Acampados ou não, eles já estão na sede de Lourdes para garantirem bilhetes quando a comercialização começar na próxima semana

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

ESPORTES BH MG: TORCEDORES DO GALO ACAMPADOS EM FRENTE A SEDE DO CLUBE NO LOURDES PARA COMPRAR INGRESSO PARA O JOGO DA FINAL NO HORTO. NA FOTO: 

FOTOS: DENILTON DIAS / O TEMPO / 07/11/2014
DENILTON DIAS / O TEMPO
ESPORTES BH MG: TORCEDORES DO GALO ACAMPADOS EM FRENTE A SEDE DO CLUBE NO LOURDES PARA COMPRAR INGRESSO PARA O JOGO DA FINAL NO HORTO. NA FOTO: FOTOS: DENILTON DIAS / O TEMPO / 07/11/2014

A mesma disposição que o time do Atlético tem demonstrado em campo, principalmente nos jogos da Copa do Brasil, revertendo resultados improváveis, também aparece com vários membros de sua torcida, que já estão na porta da sede do clube, no bairro de Lourdes, para garantir ingressos para a final do torneio, na próxima quarta-feira. A venda para os não-sócios deve começar somente na terça-feira, mas a distância para a data não desanima quem já marca presença afim de estar presente na Arena Independência, no jogo de ida da final contra o arquirrival Cruzeiro. A venda para sócios já começou nesta sexta-feira, pela internet. A venda para os mesmo, de forma presencial, acontecerá a partir de segunda-feira. 

"Todo esse esforço compensa, não tenho dúvidas. Será muito bom tirar a Tríplice Coroa deles. Não foi ruim tê-los como adversários na final, mas também não ficaria triste se fosse o Santos. Prefiro não falar em vantagem, clássico é sempre equilibrado e imprevisível", comenta o estudante Matheus Felipe, de 19 anos. Ele chegou na sede por volta das 14h desta sexta-feira com uma mochila levando água, biscoito e uma maçã. Mas o item mais importante não era de sobrevivência: uma bandeira do time do coração.

"Minha mãe falou que eu sou doido por fazer um sacrifício deste por causa de futebol. Ela diz que futebol não vai me dar nada em troca. Engano dela, este título vai ficar marcado para sempre", rebate Felipe, que ainda não havia encontrado uma barraca para descansar durante a noite.

Bem-vindo imprevisto. Enquanto estava na fila, ele foi surpreendido por um segundo torcedor, que mostrou estar disposto a fazer um alto investimento para também estar no Horto. O administrador de empresas Sérgio Vinícius chegou sem muito alarde, tentando obter informações sobre a venda. Em pouco tempo, ele e Felipe já começaram uma negociação, que durou pouco tempo. "Eu não vou poder ficar na fila pois trabalho. Se estivesse com tempo livre, ficaria o tempo que fosse necessário. Mas, já combinei com o Matheus Felipe. Se ele conseguir comprar os cinco ingressos que tem direito, um será meu. Darei R$ 100 a mais por isso. Vou também tentar arrumar uma barraca para ela. Não custa nada ajudar e ser ajudado", comenta Sérgio, que viajou para o Marrocos durante o último Mundial.

"É um momento decisivo e único para o clube. Acho que é muito provável deste título ir para o Galo. Agora, mais do que nunca, temos um time com a cara do Atlético, com raça e dedicação", completa.

Presidente não é poupado por alto valor dos ingressos

Para passar o tempo, assuntos não faltavam. Um dos recorrentes era o alto preço dos ingressos, que variam entre R$ 200 e R$ 700. "O Kalil é o maior cambista do Brasil", protestou um torcedor, que não quis se identificar. Muitos estavam inconformados com os valores dos bilhetes.

"Na hora de viajar pelo Brasil, apoiando o time, somos nós quem vamos. Fomos para o Rio ver o jogo contra o Flamengo e até apanhamos lá. Na hora de uma final como esta, a elite acaba sendo privilegiada. Isso não está certo", criticou um outro atleticano.

"Os cambistas estão revoltados", afirmou um terceiro atleticano, que também preferiu o anonimato. "Eu já sabia que o preço ia subir, mas não desta forma. O que o Kalil fez foi um absurdo", sentencia.

Integrante de uma torcida organizada, o estudante de 19 anos João Pedro mostrava sua indignação. "O valor do ingresso é quase que o mesmo de um salário mínimo. Isso não tem cabimento", manifestou-se. 

Negro Gato estava lá. Conhecido por vender 'comodidade', o cambista Negro Gato estava presente na porta da sede. Ele era um dos únicos que parecia não se incomodar com o preço dos ingressos. "Tenho cliente vindo de São Paulo, Maranhão e Brasília. Acho que podia ser mais caro, hein...", descontraiu, em meio a vários 'companheiros' de profissão.

O bom momento do time não fez o presidente Alexandre Kalil pensar duas vezes antes de jogar o preço dos ingressos nas alturas. Pensando no bom rendimento que o time tem no Horto, mas também em uma renda, Kalil preferiu mandar o jogo na Arena Independência, ao invés do Mineirão, onde poderia garantir uma renda recorde para o clube.

"O preço que ele colocasse este ingresso, ele venderia tudo. Não tenho dúvidas. Se alguém tiver a sorte de achar ingresso de R$ 400, vai pagar rindo. Pode anotar", garantiu um atleticano.

Segurança preocupa

Alguns dos torcedores que já estão na sede não escondem alguns receios. O maior deles, talvez, seja com a segurança. "Vai ser complicado dormir em barraca, ou até mesmo na rua, durante a madrugada. Pode aparecer alguém de uma torcida rival e tentar fazer alguma coisa. Isso já aconteceu antes", destaca o estudante Matheus Felipe.

O auxiliar administrativo Felipe Augusto, de 20 anos, também teme pela sua segurança. "Já fui membro de torcida organizada e me envolvi em algumas confusões. Em uma delas, quase perdi a vida. Perder a noite vale a pena, a vida não. Não faço mais parte de torcida, não compensa pelas confusões", salienta. Augusto está na sede somente com a roupa do corpo e ainda tenta ter a ajuda do irmão para fazer um rodízio na fila, para que algum descanso apareça até terça-feira. "Na final da Libertadores, a confusão para comprar ingresso também foi grande. Paguei R$ 500 por um único bilhete. Muita gente protestou quando os mais baratos acabaram. Quando chegou minha vez, só tinha uma opção. Como que deixa todo o esforço para trás?", lembra.