Operação urbana da capital deve ter dez centros regionais

Reportagem teve acesso aos endereços que devem concentrar atividades comerciais e de serviços

iG Minas Gerais | Aline Diniz /Bernardo Miranda |

A Prefeitura de Belo Horizonte definiu os locais de concentração de comércio e serviços em cada região afetada pela Operação Urbana Consorciada (OUC) Antônio Carlos/Pedro I e Leste/Oeste (antiga Nova BH). A ideia do Executivo é criar os chamados “centros regionais” em cada área atingida pela operação e neles concentrar todo tipo de serviço, fazendo com que os moradores não precisem fazer grandes deslocamentos. A reportagem de O TEMPO teve acesso a esses endereços. Em alguns casos, já há uma vocação para as atividades, em outros, o empenho do Executivo precisará ser um pouco maior.

Ao todo serão dez centros regionais ao longo dos corredores dentro da operação urbana. Dentre eles, há casos como o do centro e de Venda Nova, já com seus centros regionais desenvolvidos espontaneamente. Há também locais como o bairro Camargos, exemplo de área afetada ainda sem presença marcante de comércio. O arquiteto e urbanista Sérgio Myssior destaca que a criação dos centros pode ser benéfica, principalmente para reduzir os congestionamentos, se for feita com responsabilidade. “O que gera engarrafamentos não é a verticalização ou mais moradias, mas a distância entre os deslocamentos. O que acontece nas grandes metrópoles hoje é que os centros têm um número de empregos bem maior que a população que vive ali. Isso significa que os trabalhadores estão vindo de outras regiões e a cidade fica espalhada. Se nós tivermos um adensamento em uma região que tenha também um número grande de empregos há uma redução de deslocamento”, analisa. Desafios. Funcionários da prefeitura envolvidos no trabalho afirmam que, para ser considerada uma ação de sucesso, o Executivo espera que a operação vença três desafios. O primeiro deles é viabilizar o adensamento do entorno dos centros comerciais com qualidade, com atividades culturais, por exemplo, e sem prejuízo ao trânsito. O segundo é garantir a diversidade. Sérgio Myssior destaca que isso é possível se famílias de diversas classes sociais puderem habitar a mesma região. Outro desafio é levar os moradores dos corredores a usar o transporte coletivo. Esses corredores foram escolhidos para receber a operação porque contam com o Move e a Linha 1 do metrô. O problema é que os dois sistemas estão subutilizados. Há uma grande demanda nas extremidades dos sistemas, como a Estação Pampulha do Move e a Vilarinho do metrô, mas não ao longo dos corredores. Esse é o caso da aposentada Maria Ferreira, 76, moradora do Prado, na região Oeste. Ela nunca andou de metrô, mesmo a estação Carlos Prates estando a menos de 1 km de sua casa. “Facilitaria se houvesse um ônibus rodando no bairro para levar o morador para o metrô”.

O TEMPO mostrou primeiro Exclusivo. O TEMPO foi o veículo de comunicação responsável por revelar o projeto do Nova BH, até então mantido em sigilo pela Prefeitura de Belo Horizonte. A reportagem teve acesso ao projeto em outubro de 2013. Recuo. A divulgação gerou revolta da sociedade em geral, de movimentos sociais e de outras entidades, que reclamavam da falta de participação popular naquela que promete ser a maior mudança urbanística das últimas décadas na capital. Em sua edição desta quinta, O TEMPO mostrou também com exclusividade que a prefeitura recuou e vai parar o projeto para promover um debate com a população. 

Participação popular Após o anúncio de abertura do debate com a população sobre a operação urbana consorciada, a Prefeitura de Belo Horizonte disponibilizou em seu site o cronograma de realização das oficinas e audiências públicas, todas abertas à população. Além disso, o cidadão pode tirar dúvidas presencialmente ou por meio da internet. A prefeitura está disponibilizando mapas e plantões técnicos individuais na Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano. A previsão é que o serviço esteja disponível até janeiro de 2015. O contato deve ser feito pelo telefone (31) 3246-0023 ou pelo e-mail ouc@pbh.gov.br. A agenda completa das reuniões está no site.

Entenda a diferença Embora decidam questões relativas ao uso da cidade, a Conferência de Políticas Urbanas e o antigo Nova BH não são a mesma coisa. A conferência é um fórum que reúne mais de 240 delegados, que votam propostas do Executivo, da população e de movimentos sociais sobre o planejamento urbano. Essas ideias precisam depois ser analisadas pela prefeitura e votadas pelos vereadores da cidade. As Operações Urbanas Consorciadas (OUCs) são propostas pela prefeitura e passam pelo mesmo processo na Câmara Municipal, mas os locais onde as alterações vão acontecer precisam estar previstos antes no Plano Diretor da cidade.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave