Fruto da memória e do prazer

A partir deste sábado, Lemos de Sá Galeria de Arte sedia primeira exposição individual de Gilvan Nunes em MG

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Obras. Artista mineiro faz uso de referências de seu Estado natal quando retrata paisagens e plantas, além ter traços do Barroco
gilvan nunes / reprodução
Obras. Artista mineiro faz uso de referências de seu Estado natal quando retrata paisagens e plantas, além ter traços do Barroco

Vermelho Novo é uma pequena cidade localizada da Zona da Mata de Minas Gerais. Um município que não foge do padrão das cidades do interior do Estado: igreja, pôr-do-sol entre morros, passos lentos e praças localizadas no centro ilustram a rotina dos cerca de 5.000 habitantes que ali vivem. Esse cenário bucólico e aparentemente costumeiro é, no entanto, fonte de criação para o artista plástico e vermelhense Gilvan Nunes, que, depois de expor em galerias de várias capitais brasileiras e estrangeiras, inaugura neste sábado sua primeira mostra individual na capital do Estado onde nasceu. A exposição acontece na Lemos de Sá Galeria de Arte.

“Fico muito contente por finalmente expor aqui, pois sempre quis dividir meu trabalho com o público local. Também me sinto prestigiado ao trabalhar na minha maravilhosa terra, apesar de sentir uma responsabilidade ainda maior, afinal, o mineiro costuma fazer críticas muito apuradas”, comenta Nunes.

Composta por 19 quadros de grandes dimensões (média de 1,5 x 2 metros), cheias de texturas e cores fortes, a exposição está sendo designada apenas pelo nome do artista. Na visão dele, contudo, caso fosse necessário escolher um título, ele estaria ligado à palavra memória.

“A estética do meu trabalho é resultado de tudo aquilo que meu olhar captou durante os anos. E ter vivido em Minas até os meus 18 anos é parte essencial dessa visão. As paisagens mineiras e as lembranças do tempo de minha infância e adolescência sempre me veem à cabeça quando estou criando. Posso continuar por muitos anos no Rio de Janeiro (cidade onde mora), mas minha maior influência sempre virá daqui”, diz.

Corroboram com o elo entre as peças e Minas Gerais traços estéticos representados por movimentos artísticos como o Barroco e o Rococó. “Minhas obras também são bem carregadas, sempre com tudo preenchido. Dessa forma, se estabelece uma alusão a correntes muito significativas por aqui”, reconhece.

Com relação ao conteúdo das obras, há uma predominância de elementos naturais, como flores, madeira, árvores e rios, os quais se misturam a outras formas, em sua maioria abstratas, atribuindo uma identidade ao conjunto. “Esse trabalho representa minha busca por interpretar a natureza, mas sempre em sentido amplo, incluindo a natureza do ser humano”, explica o artista, cuja formação remete à Escola de Artes Visuais do Parque Laje, no Rio de Janeiro.

Adepto a uma dinâmica de criação bastante espontânea, Nunes ressalta o fato de conviver diariamente com as telas, em seu ateliê. “Eu trabalho todos os dias buscando resultados práticos para minha criação artística, mas não tenho um processo criativo determinado”, explica.

“Só sei que crio somente quando tenho vontade, e nunca fiz da minha produção uma obrigação ou um tipo de tortura. Poderia dizer, assim, que minha criação está atrelada ao prazer”, finaliza.

Agenda

O quê. Exposição Gilvan Nunes

Quando. Deste sábado a 6 de dezembro (segunda a sexta, das 10h às 18h; aos sábados, das 11h às 14h)

Onde. Lemos de Sá Galeria de Arte (av. Canadá, 147, Jardim Canadá, Nova Lima)

Quanto. Entrada franca

Trajetória

Apesar de expor pela primeira vez em Belo Horizonte, obras de Gilvan Nunes já passaram por importantes museus e galerias. Confira algumas:

– Art Gallery 100, Bélgica

– Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

– Paulo Darzé, Bahia

– Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos, Portugal

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