Para onde se vai com a proximidade do fim?

Espetáculo “Vianninha Conta o Último Combate do Homem Comum” busca equilíbrio entre humor e drama

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Humor. Palhaço tece comentários por meio de gestos e falas, colaborando com veia cômica da peça
Cláudia Ribeiro
Humor. Palhaço tece comentários por meio de gestos e falas, colaborando com veia cômica da peça

Histórias que permeiam as relações entre pessoas de classe média são verdadeiros engodos para dramaturgos que almejam explorar as facetas do comportamento do homem moderno. Encaixa-se nesta linha a peça “Vianninha Conta o Último Combate do Homem Comum”, de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), em cartaz nesta sexta e sábado, no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Antes de discorrer sobre os aspectos da obra, é importante esclarecer que o título original é “Em Família”. A mudança de nome é obra do diretor da montagem, Aderbal Freire-Filho. “Foi uma forma de fazer uma homenagem a Oduvaldo. Além disso, no período que estávamos concebendo essa montagem, em 2012, havia no ar uma novela com o mesmo título, e não queríamos que as pessoas se confundissem”, explica a protagonista da peça, Vera Novello.

Felizmente, os dois títulos colaboram entre si e acabam abordando boa parte dos temas centrais da peça. Em cena, acompanhamos a rotina de Souza (Cândido Damm) e Lu (Vera), um casal de idosos que vive no interior do Rio de Janeiro nos anos 1970. Certo dia, depois de um almoço com os filhos, eles recebem a notícia de que terão que deixar a casa onde viveram durante toda a vida, pois o aluguel sofreu um reajuste, e o salário de Souza, funcionário público aposentado, ja não é suficiente.

A partir daí, a família começa a decidir com quem e onde os pais ficarão. Nesse cenário, as personalidades e os laços entre eles começam a ser reveladas. “Assistimos a cenas em que dá para ver, por exemplo, que um dos filhos quer levar os pais para morar com ele, mas não o faz, pois sabe que irá atrapalhar o próprio casamento e a relação com a filha”, diz Vera, que completa: “Essa impotência de tomar um decisão gera angústias, tanto para os filhos quanto para os pais, ilustrando uma situação muito comum na classe média brasileira”.

Desse modo, a peça assume um papel social ao questionar o lugar e os direitos das pessoas idosas em nossa sociedade, ressaltando a atualidade da discussão proposta. “É muito comum as pessoas se identificarem com a história, e já recebi diversos depoimentos emocionantes. Teve uma vez que estava explicando a peça para uma jornalista, e, quando terminei, ela estava com os olhos cheios de lágrimas pela situação que vivia com o pai, naquela época”, relata Vera.

Humor. Muito comuns nas peças de Vianna, diálogos bem-humorados equilibram-se com cenas dramáticas ou reflexivas. A impressão que Vera tem sobre o público que já assistiu à peça corrobora com essa visão. “No início, pensávamos que os espectadores não iriam achar engraçado, mas logo nas primeiras apresentações nos surpreendemos. O mais interessante, no entanto, é que quanto mais o público acha engraçado, mais chora no final da peça”, relata.

Grande parte das risadas vem das tiradas irônicas dos protagonistas sobre velhice, com pitadas de humor negro. Outro aspecto que realça a comicidade da obra é a presença de um palhaço que não existia na montagem original. “O palhaço é responsável por mostrar contrapontos e fazer comentários, de forma verbal e não-verbal, com o objetivo de tornar as cenas ainda mais realistas e engraçadas”, diz Vera.

Parte da Mostra Cine Brasil Teatro, a peça desdobra-se em um bate-papo no sábado, às 14h, com a presença de todo o elenco. Ainda na mostra, serão apresentadas, neste fim de semana, as montagens infantis “Bossa Novinha – A Festa do Pijama” e “Sambinha”, integrantes de um trilogia que apresenta a música popular para crianças. Serviço. “Vianninha Conta o Último Combate do Homem Comum”, nesta sexta e sábado, às 21h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (rua Carijós, 258, Centro). Ingressos a R$ 40 (inteira).

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