Reencenando a eterna guerra do sexo

“O Último Tango em Paris” provoca no Palladium

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Protagonistas encenam um mergulho profundo em relacionamento sexual
mgm / divulgação
Protagonistas encenam um mergulho profundo em relacionamento sexual

Ele: “Sou eu de novo”. Ela: “Acabou”. Ele: “Isso mesmo. Acabou, e agora começa de novo”. Ela: “O que começa de novo? Não estou entendendo mais nada”. “Ele: Não há nada para entender. Nós deixamos o apartamento, agora recomeçamos e amamos todo o resto”. O diálogo entre os protagonistas Paul (Marlon Brando) e Jeanne (Maria Schneider) sintetiza perfeitamente “O Último Tango em Paris”, que a mostra Cine Proibido exibe neste domingo às 16h no Sesc Palladium. Um retrato alegórico do ciclo vicioso de todos os relacionamentos entre homem e mulher que, na impossibilidade de se entenderem, tentam dominar um ao outro pela violência física do sexo. E quando não conseguem, movem para a próxima vítima para começar tudo de novo. O diretor e roteirista Bernardo Bertolucci tentou explicar o filme – sobre o encontro entre um homem norte-americano e uma francesa que decidem manter uma relação baseada somente no sexo – a Brando dizendo que Paul era sua “masculinidade”, e Jeanne “a garota dos seus sonhos”. Anos mais tarde, o ator diria que não entendeu nada e que, para ele, o longa era simplesmente uma longa sessão de análise de Bertolucci. Lendariamente disléxico e insatisfeito com o diálogo em inglês. Brando improvisou a maioria de suas falas – que eram pregadas em esparadrapos no corpo nu de Schneider. Mas o ator recebeu a penúltima de suas oito indicações ao Oscar por decifrar na tela um homem cuja misoginia surge quando ele percebe que o intenso amor que sente pelas mulheres não é capaz de fazer com que ele as entenda. A performance de Brando ficaria lembrada pela antológica cena em que Paul encontra um uso inusitado para manteiga – que causou furor na época, e hoje é quase puritana. Mas o longa é bem mais que isso. Bertolucci consegue reproduzir o caráter alegórico e cíclico de seu romance na fotografia de Vittorio Storaro e na trilha jazzística de Gato Barbieri. “O Último Tango em Paris” é revolucionário ainda hoje por ousar algo que não existe mais no cinema: penetrar profundamente nas entranhas de um relacionamento tanto física quanto emocionalmente.

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