Para manter a base, Ciro teria prometido Funarbe a vereador

Vereadores disseram que, durante a reunião nesta semana, o especulador imobiliário garantiu benefícios para os parlamentares em troca da sustentação da base aliada

iG Minas Gerais | Da Redação |

A influência do empreiteiro Ciro Pedrosa não se restringe apenas a reuniões com os vereadores. Ele também é a pessoa que determina o que os secretários municipais devem fazer. Sob sua batuta, integrantes do primeiro escalão da prefeitura se relacionam com consultores, contratam empresas e determinam ações.

Um dos secretários, que pediu para não ser identificado, confirma a influência do irmão do prefeito. “É comum vê-lo despachando com os secretários dentro da própria prefeitura ou em sua empresa”, disse ele. Até visitas a agências de publicidade, empresas de engenharia e de tecnologia são conduzidas pelo irmão do prefeito. Ele ainda é o responsável por nomear consultores e secretários.

Vereadores disseram que, durante a reunião nesta semana, o especulador imobiliário garantiu benefícios para os parlamentares em troca da sustentação da base aliada. Verdade ou não, a pauta foi destravada depois de quase um mês de reuniões esvaziadas.

O acordo, segundo relatou um vereador, prevê a nomeação de uma ex-assessora do vereador Pãozinho (PV) para o cargo de presidente da Fundação Artístico-Cultural de Betim (Funarbe). Márcia Dutra de Jesus seria elevada ao cargo de presidente, mas as diretorias da entidade seriam distribuídas de acordo com critérios acordados com os parlamentares.

Mas não foi somente a Funarbe que entrou na “roda” de negociação. O grupo de parlamentares que conversou com Ciro também quer a substituição imediata do coordenador geral dos restaurantes populares, Everando Silva. Com a saída dele, os parlamentares teriam “liberdade” para nomear os coordenadores regionais dos restaurantes populares.

Já um grupo ligado ao presidente da Casa pediu o afastamento da secretária de Assistência Social, Regina Rezende, porém, esse pedido não teria sido aceito por Pedrosa, que teria pedido um tempo para levar a reivindicação ao prefeito de fato.

Pãozinho negou as afirmações e disse que elas são “boatos”. “Quem manda lá é a Clélia Horta (presidente interina); a Márcia não tem acesso a nada. Ciro teve apenas uma conversa informal conosco (vereadores)”, disse o vereador.

Por e-mail, o irmão do prefeito respondeu os questionamentos feitos pela reportagem. “Estava acompanhando a secretária de Governo, Zizi Soares, como conselheiro político. O alinhamento de interesses entre Executivo e Legislativo é feito pela secretária de Governo. Politicamente, sim, discuto assuntos políticos com o vereador. Quanto à possibilidade de uma assessora ser indicada para a presidência da Funarbe, esta é uma decisão que cabe ao prefeito", afirmou Ciro.

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