Ciro atua como ‘prefeito’ na ausência de Carlaile

Após eleição, prefeito se ausentou por 7 dias, mas não chamou o vice para assumir; empreiteiro esteve com vereadores em reunião fechada na sala da presidência

iG Minas Gerais | Da Redação |

Ciro Pedrosa despacha assuntos da prefeitura no lugar do irmão, o prefeito Carlaile (PSDB)
FUNCIONÁRIO DA CÂMARA
Ciro Pedrosa despacha assuntos da prefeitura no lugar do irmão, o prefeito Carlaile (PSDB)

O município de Betim, a segunda maior arrecadação de Minas Gerais, ficou sem prefeito entre os dias 29 de outubro e 4 de novembro. Carlaile Pedrosa (PSDB), após as eleições presidenciais, resolveu descansar em outro Estado, mas não colocou ninguém em seu lugar nem avisou o seu vice, Waldir Teixeira (PV), sobre a sua saída.

No período, os secretários municipais responderam diretamente às ordens do irmão do prefeito, o ex-deputado federal, especulador imobiliário e empreiteiro Ciro Pedrosa. Mesmo sem ocupar cargo algum na prefeitura, ele era quem estava tomando as decisões e dizendo o que deveria e o que não deveria ser feito.

Ciro também foi o responsável pela articulação política do governo com a Câmara de Vereadores. Na tarde de quinta-feira (30), por exemplo, ele, acompanhado da secretária de Governo, Zizi Soares, participou de uma reunião na sala da presidência da Casa para destravar a pauta de votação com a base de sustentação do prefeito, que havia se rebelado alegando falta de diálogo com a prefeitura.

Segundo o líder do governo, vereador Eliseu Xavier (PTB), durante a reunião, a base também pediu ao irmão do prefeito que a atual secretaria de Governo tivesse mais autonomia e discutisse as questões políticas relevantes para o município com a Câmara. “Sabemos que o Ciro não é da prefeitura, mas, como Carlaile estava viajando, ele, que é o irmão, foi até a Câmara conversar para saber nosso sentimento sobre a forma como o governo está sendo conduzido. Existe uma insatisfação muito grande dos parlamentares com o secretariado da prefeitura, que, simplesmente, não dialoga”, disse o vereador.

O presidente da Câmara, Marcão Universal (PSDB), disse que preferiu não participar, apesar de a reunião ter ocorrido em sala anexa à dele. “Assim que Ciro chegou lá, fui embora. Não entrei na discussão. Interesso-me apenas por assuntos da Câmara. Assuntos de vereadores com o Executivo não são do meu interesse”, argumentou.

Nem todos os vereadores ficaram satisfeitos com a “interferência” de Ciro. A oposição ao prefeito criticou o fato de o empreiteiro despachar no lugar de irmão. Para o vereador Antônio Carlos (PT), que não foi convidado para a reunião, “isso desgasta a relação entre o prefeito e os vereadores”. “Não é bom para a independência dos Poderes. Mostra que os interesses pessoais estão acima dos interesses políticos”, criticou.

Eutair dos Santos, também do PT, concordou: “Essa interferência externa demonstra que o prefeito Carlaile perdeu o controle da relação dele com a Câmara, pois há uma secretária de Governo e o próprio Carlaile para fazer isso. Ele deveria dedicar mais tempo para melhorar essa relação”, completou.

Já Waldir Texeira (PV) afirmou que, caso tivesse sido comunicado por Carlaile, teria cumprido seu papel de vice e assumido no lugar, assim como fez no período em que o prefeito esteve de licença médica. “Carlaile não deseja minha presença, mas fui eleito como ele. Na sua ausência, eu deveria assumir, mas hoje é a ‘Família Pedrosa’ que domina a Prefeitura de Betim”, criticou.

Justificativa

A prefeitura informou que a ausência de Carlaile não exigiu comunicação formal à Câmara. De acordo com o artigo 71, inciso 10 da Lei Orgânica, a formalização só seria necessária se o período de afastamento do prefeito tivesse sido superior a 15 dias. A prefeitura nada argumentou sobre a interferência do irmão do prefeito na gestão municipal.

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