Sem-terra de Esmeraldas ocupam área betinense

Cerca de 50 famílias foram despejadas na última terça-feira (4) após o cumprimento de uma decisão judicial e encaminhadas para a fazenda Ponte Nova, no Vianópolis

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Famílias desajoladas em Esmeraldas acamparam em área na fazenda Ponte Nova, no Vianópolis
Nelson Batista
Famílias desajoladas em Esmeraldas acamparam em área na fazenda Ponte Nova, no Vianópolis

Cerca de 50 famílias que estavam em uma fazenda em Esmeraldas foram trazidas para Betim após sofrerem uma ordem de despejo. Elas ocupam, desde a última terça-feira (4), um área na fazenda Ponte Nova, na região do Vianópoils, local onde já existe um assentamento do Movimento dos Sem-Terra (MST) há alguns anos.

As famílias foram despejadas após militares da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar de Esmeraldas cumprirem um mandado de reintegração de posse em um terreno conhecido como Fazenda Chigongo, na zona rural da cidade, no bairro Lagoa das Flores. De acordo com o tenente Igor Saraiva, o local estava ocupado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem–Terra (MST) desde abril de 2013.

A área na cidade vizinha pertence à Fundação São José, que entrou na Justiça neste ano para reaver o espaço. “Cerca de 25 famílias foram notificadas por volta das 7h e tiveram 30 minutos para fazer a retirada dos objetos pessoais. A desocupação aconteceu pacificamente”, disse o policial. Alguns tratores foram usados para derrubar os barracos, e caminhões, para levar os objetos dos moradores.

Ocupação No local, há muitas crianças e idosos. Segundo a líder do grupo, Hosana Barbosa, os sem-terra perderam quase tudo quando foram despejados. “O que tínhamos plantado, como feijão, milho e quiabo, ficou tudo para trás. Além disso, vários barracões foram demolidos, e conseguimos pegar roupas e objetos pessoais, alguns materiais e pouca alimentação”, contou.

Os ocupantes começaram a levantar novos barracos e a dividir o espaço em Betim. Apesar disso, a comida é escassa. Ainda segundo ela, os assentados da fazenda Ponte Nova foram quem ajudou as famílias despejadas. “Eles estão solidários com a gente, dando um pouco de comida e deixando a gente ficar aqui. A previsão é que permaneçamos até o fim de semana, e, aí, veremos outro lugar para ficar”, afirmou.

Ainda de acordo com ela, a situação dos sem-terra é incerta. “Atualmente, há 32 mandados de despejo em todo o Estado. Então, vamos ver com o comando do movimento estadual, para sabermos o que vamos fazer”, afirmou.

Um outro sem-terra, que não quis se identificar, disse que as famílias estão desoladas. “É uma situação muito difícil. Lá (em Esmeraldas), a gente plantava, tinha os barracos, mesmo em condições não muito boas. Não sei até quando devemos permanecer aqui. É muito complicado uma situação dessas”, contou.

Em nota, a Prefeitura de Betim informou que “a propriedade em questão trata-se de área particular, e, desta forma, o proprietário deve solicitar à Justiça a reintegração de posse”. “Somente após a decisão judicial – e caso seja decretada a reintegração –, o município pode disponibilizar instrumentos de apoio ao proprietário, como a realização da caracterização social e a identificação das famílias ocupantes”, informou em nota.

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