Governo não poderá usar informações de delatores para escalar ministro

Doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, citaram dezenas de congressistas como beneficiários do esquema de desvios de recursos da Petrobras por meio de contratos superfaturado

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Sem acesso ao conteúdo sigiloso e potencialmente explosivo das delações da operação Lava Jato, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou que não poderá levar em conta eventuais informações sobre congressistas e políticos citados na investigação na hora de indicar os novos ocupantes do governo Dilma Rousseff.

"Aquilo que eventualmente esteja disponível e não submetido a sigilo poderá ser informado pela Polícia Federal. O que estiver submetido a sigilo, por evidência, não poderá", disse o ministro, nesta quinta-feira (6), depois de questionado se a PF poderia usar informações da investigação sobre o esquema de lavagem e remessa ilegal de dinheiro para checar possíveis nomes cotados na montagem do segundo mandato de Dilma. Cardozo ponderou, contudo, que não está autorizado nem deve falar sobre montagem de governo.

Os dois principais delatores do esquema, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, citaram dezenas de congressistas como beneficiários do esquema de desvios de recursos da Petrobras por meio de contratos superfaturados. Alguns deles, por exemplo, podem ser cotados para ocupar cargos no primeiro escalão do governo e tais informações, como afirmou o ministro, estão protegidas por sigilo e, por isso, não poderão ser usadas na análise dos nomes.

Nesta quinta, o ministro da Justiça sugeriu cautela em relação ao conteúdo vazado. "Tenho visto pela imprensa muitas informações. Não podemos, de maneira nenhuma, dizer se vazamentos existiram ou não. Os jornalistas não inventam, mas fontes podem ter plantado informações incorretas. Isto está sob averiguação", observou Cardozo.

O ministro afirmou ter interesse em ter acesso às informações das delações para promover medidas administrativas em caso de participação de ocupantes de cargos no governo federal. Cardozo diz ter solicitado acesso ao Supremo Tribunal Federal, mas o pedido foi indeferido.

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