Personalidade marcante também fora dos palcos

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


Fagner tem carreira marcada por seu posicionamento político
(416) Julien Pereira / Fotoarena
Fagner tem carreira marcada por seu posicionamento político

Em sua trajetória como cantor, compositor e produtor, Fagner acumulou admiradores por todo o Brasil. São, afinal, quatro décadas de carreira, celebradas hoje, em Belo Horizonte, com show no Grande Teatro do Palácio das Artes. Em relação ao carinho do público, o cantor aparenta estar acostumado e fala com a segurança de quem sabe o “lugar” onde está – visão contrastante à que tinha em meados de 1955, quando recebeu seu primeiro prêmio de Melhor Intérprete, cantando “Mãezinha Querida”. “Eu nem imaginava onde iria chegar com aquilo. Sabia que queria cantar e construir meu sonho”, conta.

Embora tenha nascido em uma família de músicos na cidade de Orós, no Ceará, foi dentro de casa que ele encontrou o primeiro obstáculo à carreira. “Lembro de quando eu tinha 15 anos, e minha mãe não queria que eu seguisse em frente com a música. Daí, uma vizinha amiga dela era quem me levava escondido para shows de calouros e rádios. Sem ela, eu não estaria aqui”, relata.

Com talento e persistência, Fagner trabalhou para conquistar seu espaço como músico. “Desde então, tudo que fiz na minha vida fora da música era plano B”, diz. E mesmo fora do âmbito musical, ele também é conhecido pela personalidade marcante.

Durante o período eleitoral, por exemplo, Fagner chamou atenção ao se posicionar a favor do então presidenciável Aécio Neves. Questionado se não temia que fãs contrários a sua opinião começassem a desprezar seu trabalho, ele certeiramente responde que não. “Acho que o mínimo que temos que fazer em um país como o nosso é nos posicionarmos politicamente. Eu não tenho medo que isso influencie o meu público porque acho que ele não confunde isso”, afirma.

Além disso, foi protagonista de casos polêmicos, que mesmo já resolvidos fazem parte de sua história.

O mais famoso deles teve início em 1973, quando ele lançou seu primeiro álbum, sob o nome de “Manera Fru Fru, Manera”. Pouco tempo depois, foi acusado de plagiar o poema “Marcha”, de Cecília Meireles, na música “Canteiros”, que compunha o álbum. Por causa disso, os exemplares foram recolhidos do mercado, e uma nova versão foi lançada sem a música em questão.

O caso da música “Canteiros”, hoje considerada uma das mais belas da carreira de Fagner, encerrou-se completamente apenas em 1999, quando a Sony estabeleceu um acordo com as filhas de Cecília Meireles. Um ano depois a canção foi lançada no disco “Raimundo Fagner – Ao Vivo”.

Em 2011, outra polêmica tomou conta da vida do cantor. Desta vez, a viúva do compositor Petrúcio Maia entrou com processo contra a Orós, editora de Fagner, e a Sony, para adquirir participação em direitos autorais das músicas feitas pelo marido.

“Lamento profundamente que essa menina tenha enveredado para esse caminho. Não tenho a menor dúvida de falar que fui o cantor que mais gravou música de Petrúcio, foram mais de 20, ao todo. Ela não tinha nenhuma razão para fazer isso, pois sempre cumprimos com nossas obrigações. E criei a editora para proteger todas as músicas”, comentou. “O pior é que ela impediu outros artistas do Ceará de gravarem qualquer música dele, e isso é muito ruim para a cultura e para a memória”, diz.

E se algumas polêmicas são inevitáveis, o trabalho mantém-se, sempre, como o grande norte do cantor. Atualmente, Fagner prepara um disco em parceria com Zé Ramalho. Posteriormente, vai promover um encontro ente os sons do Nordeste e a música libanesa, que remete às origens de seu pai. “Vou fazer um mix para tocar na discoteca, se que é que isso ainda existe”, brinca, garantindo que há serestas por vir.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave