A alegria e a dor do futebol em uma única noite

iG Minas Gerais |

O futebol ainda exerce tanto fascínio mundo afora por causa de situações como a da noite de ontem: em Belo Horizonte, Atlético x Flamengo; Santos x Cruzeiro, em Santos. Tudo poderia acontecer! E ninguém tinha capacidade para antecipar quem seria o vitorioso na disputa pela classificação às finais da Copa do Brasil, quando um dos times ou os dois em disputa poderiam até ganhar e não levar. Ou, de repente, a disputa que se aparentava dificílima, quase impossível, se tornaria fácil, em função do ótimo desempenho de um, combinando com a má atuação do outro ou a infelicidade de um ou mais jogadores, em um ou mais lances “fatais”. Memória Gosto de recorrer à memória para pegar exemplos de feitos considerados impossíveis que se tornaram realidade e também o inverso: o que seriam “favas contadas” se transformou em pesadelo para o favorito. O futebol mundial e o nosso, nacional, doméstico, são fartos disso. É só cutucar a memória que qualquer torcedor vai se lembrar de momentos históricos do seu próprio time. Justiça e injustiça E a arbitragem? Se tiver sido feliz, o resultado, justo; em caso de interferência indevida no placar, teria ajudado alguém a chegar à glória de forma injusta. E, como as leis do futebol são frágeis nesse aspecto, grandes injustiças também marcam a história da bola. Gols de impedimento, bola que entrou, mas a arbitragem disse que não, e vice-versa; gol de mão; uma falta que foi ou que não foi marcada, e por aí vai. Sempre assim! No frigir dos ovos, quando o seu time triunfa, você adere ao chavão “o futebol é bom por causa dessa imprevisibilidade mesmo!”. Quando seu time fracassa, a frase é outra: “Vou parar de acompanhar essa porcaria; só tem fdp…”. Até o jogo seguinte, e vida que segue! Lamento que os dois jogos tenham sido no mesmo horário, às 22h. Bom seria poder assistir às duas partidas, que foram sensacionais em virtude de todos os ingredientes que as moviam. Cabeças cozidas De vez em quando, os noticiários informam que o ex-jogador fulano de tal passa apertos financeiros ou vive em situação dramática. Quase todos fazem por merecer chegar a essa situação, mas, mesmo assim, contam com o apoio de muita gente para ajudá-los. São tratados por muitos cientistas sociais e filósofos como coitadinhos, vítimas da “desigualdade social” do país.

O passado A primeira coisa que faço quando ouço uma notícia envolvendo jogador que cai nessa é me lembrar de como ele conduziu a carreira dele. Aí penso no torcedor, enganado por esse tipo de profissional. Penso nos colegas sérios dele, que se matam de correr, enquanto o sacana chupa sangue. Quem paga Penso no clube, que investe fortunas para ter o futebol dessas figuras, mas é roubado por eles, já que, premeditadamente, aprontam, não rendem o que se espera deles e criam crises difíceis de se contornar. Que se danem!

Demorou O Atlético, finalmente, dispensou Jô, André e Emerson Conceição, mas não por deficiência técnica ou pelas aprontações extracampo de semanas passadas, casos dos dois centroavantes. Foi pelo que aprontaram depois do jantar após a derrota para o Atlético-PR, em Curitiba. No comunicado à imprensa, na tarde de segunda-feira, o diretor de futebol Eduardo Maluf não entrou nos detalhes da “indisciplina grave” dos três, mas certamente foi feia.

De gaiato Para o clube tomar uma atitude dessas nas vésperas de jogo decisivo contra o Flamengo e sem ter centroavante, o bicho pegou pra valer. Demorou, já que Jô e André têm histórico no próprio Galo de comportamento inadequado, e a contratação do Emerson Conceição foi um erro de avaliação, pois não tem futebol para jogar no Atlético. Deve ter entrado de gaiato nessa farra com os “artilheiros”, já que não tem essa fama de farrista. Leis injustas A não revelação dos fatos pela diretoria segue orientações jurídicas, já que as leis do Brasil quase sempre favorecem o infrator, principalmente no futebol. Qualquer coisa que o patrão fala a mais publicamente pode garantir ao fanfarrão uma indenização que lhe garante mais alguns milhões no bolso.

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