2015 já começou

iG Minas Gerais |

A executiva nacional do PT publicou no início da semana um documento com os apontamentos considerados fundamentais à direção do partido para os próximos quatro anos de governo. Na “Resolução Política”, a sigla não esconde a necessidade de uma reinvenção, reaproximando-se de outras legendas de esquerda e, principalmente, reconquistando e ampliando a participação do PT em segmentos sociais. O texto, apesar de não explicitar, deixa transparecer uma preocupação com a relação tensa do Executivo com o Congresso, tendo em vista a intenção de aprovar durante o governo Dilma dois pontos considerados prioritários: a reforma política – via plebiscito (preferido pela presidente) ou referendo – e o projeto de regulação da mídia. Sobre os dois itens acima diz o documento: “É urgente construir hegemonia na sociedade, promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a democratização da mídia”. O receio, compartilhado pelo Planalto, é de um clima permanente de beligerância e inviabilidade de tramitação de projetos na Câmara e no Senado nos próximos anos. Nesse contexto, o PT explicita como únicas alternativas a recuperação do espaço perdido em parcelas da população e a mobilização de parte da sociedade, para além de sua militância, como forma de pressionar o Congresso de fora para dentro. Só assim o partido conseguiria fazer andar as pautas de maior interesse. Também chama a atenção a convocação da legenda para seus militantes saírem de uma posição de acuamento e marcarem a posição da situação, vitoriosa com mais de 3 milhões de frente em relação ao projeto da oposição, encabeçado pelo senador Aécio Neves (PSDB). É como se o PT convocasse os petistas para voltar a ter orgulho do partido; orgulho esse ferido com o crescimento de um antipetismo na reta final das eleições, inflado por um discurso de corrupção colado à sigla e até por movimentos pedindo a volta do golpe militar pós-eleição. Estão previstos um ato para a próxima semana e uma grande mobilização na posse da presidente. A preocupação do partido e também do Planalto, manifestada logo após a eleição, é pertinente. Nos primeiros discursos e movimentos da oposição dentro do Congresso, fica explícita a intenção de não dar vida fácil para o Executivo. A tática é a do quanto pior, melhor. A oposição aposta e vai jogar no sentido da imutabilidade da situação econômica do país e do desgate entre o Planalto e o Congresso. Isso sem contar a estratégia de transformar as investigações de corrupção, desvio de dinheiro e tráfico de influências na Petrobras, o já chamado “Petrolão”, num escândalo de dimensões similares ou maiores do que o do mensalão do governo Lula. Enfim, o novo mandato não começou, mas o jogo já está em andamento.

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