PSDB-BH ataca 'elitismo' governo do próprio partido

Membros da Executiva Municipal aprovam mensagem que diz que o partido "se divorciou da população mais carente"

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa, Larissa Arantes e Tâmara Teixeira |

Uma mensagem lida em reunião extraordinária realizada pela Executiva Municipal do PSDB na última segunda-feira, e aprovada por unanimidade, faz duras críticas ao governo estadual do próprio partido. Em uma análise sobre o processo eleitoral, os militantes tucanos consideram que a gestão do Estado, nos últimos anos, "foi elitista e se divorciou da população mais carente, justamente aquela que mais precisa do Governo". O texto obtido com exclusividade pelo Aparte só poupa o senador Aécio Neves, considerado "solícito e disponível para com os mais humildes". Embora tente demonstrar confiança, dando boas vindas aos novos militantes, o documento realça que a manifestação se dá "a partir dos escombros de uma ampla derrota". "O Governo do PSDB em Minas nos últimos anos foi elitista e se divorciou da população mais carente, justamente aquela que mais precisa do Governo. Aécio Neves detém em sua origem uma identidade muito grande com o povo simples de Minas Gerais e, em especial, com os de Belo Horizonte. Em Minas Gerais, recentemente, os Agentes Políticos que se instalaram no poder, não detinham sequer parecença com esta identidade, criando um distanciamento que enfraqueceu sua essência no que tinha de mais positivo. Para se ter uma ideia, uma simples audiência solicitada a um Secretário de Estado por uma autoridade demorava, no mínimo, 20 (vinte) dias para acontecer. E com o povo mais simples, impossível, ao contrário de Aécio, sempre solicito e disponível para com os mais humildes", ataca o texto do PSDB municipal. Lideranças tucanas confirmaram à reportagem a realização da reunião e a aprovação do documento, mas nenhuma delas quis detalhar quais os membros que estavam presentes. Um parlamentar confirma que há uma revolta por parte de alas tucanas na capital. "Foi movimentação de um grupo do partido, mas há um sentimento muito grande de insatisfação das bases com o Danilo de Castro (secretário de Governo)", relata. De acordo com ele, no diretório municipal, as pessoas foram muito segregadas do processo eleitoral. Por isso, resolveram agora se manifestar", afirma. Outra liderança do partido diz que ainda há um mal estar desde as derrotas local e nacional dentro da sigla. "Ainda estão buscando um culpado. Acho que não é o momento de conflitos internos, mas de olhar para frente. Não adianta chorar sobre o leite derramado e as escolhas ruins que tomamos durante a eleição", lamenta. O presidente municipal do PSDB, deputado estadual João Leite não teria participado da reunião, segundo relatos. Procurado através de sua assessoria, ele ainda não se manifestou sobre o conteúdo da mensagem. Tucanos apostam que, sem a aprovação de João Leite, texto não deve ser divulgado. O vereador Henrique Braga também recebeu o texto e minimizou a reunião. Ele diz que participaram apenas "meia dúzia" de pessoas e também afirma que o encontro não contou com a presença de João Leite. O presidente do PSDB estadual, deputado federal Marcus Pestana, afirma que recebeu um texto que teria sido lido nesta reunião, mas que ainda não o tinha analisado. Pestana está em Brasília onde acompanha o discurso de Aécio Neves, que retornou na terça-feira ao Senado. Leia a íntegra do documento, que acusa o PT de usar táticas fascistas, aposta na "corrosão" do adversário, mas reclama da postura dos próprios companheiros no comando de Minas Gerais:   "MENSAGEM DA EXECUTIVA MUNICIPAL DO PSDB DE BELO HORIZONTE APROVADA, À UNAMINIDADE, EM REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA E LIDA NA REUNIÃO DO DIA 03 DE NOVEMBRO DE 2014, NA SEDE DO PARTIDO. O Bom Combate, Nas eleições de 2014, com a condescendência de DEUS, nós militantes do PSDB de BH, atuamos efetivamente na história de nosso tempo e de nossas vidas. Não nos omitimos. Esforçamo-nos ao longo de todo o ano, a exercitar, voluntariamente, a política de rua, indo ao encontro da população, tentando conquistar apoio para a proposta que julgávamos a melhor para o País. Nesse esforço fomos agraciados com alguns privilégios. Seguimos um candidato de valor, corajoso, ético, bem preparado, que soube empreender a luta com galhardia. Estavam lado a lado, no mesmo esforço voluntario, pais, filhos, idealistas, que na mistura do frescor da juventude com a consistência da experiência, entregaram-se de corpo e alma a causa na qual acreditávamos, o que é motivo de enorme orgulho para todos nós. Estávamos nós, ao lado do povo mais simples do Partido, militantes recrutados em toda a periferia, que a todo o momento nos ensinavam que a humildade é condição divina, que fortalece o homem para o enfrentamento de suas lutas, ao mesmo tempo em que assegura a permanente celebração da vida, pelo simples ato de se estar vivo e em movimento. Pensamos, inclusive que a grande camada da população que da mesma origem proletária, dos nossos militantes do PSDB de BH, que em outras regiões de Minas e do Norte do Brasil, veio a assegurar a vitória do PT, fez sua opção com soberania e perspicácia, sendo inclusive de maior valor do que o próprio Partido ao qual ela dedicou seus votos. Tornou-se pequeno o PT ao inflectir para o fascismo, praticando a mentira, a infâmia e o uso indiscriminado e criminoso da máquina pública para pretensamente assegurar sua vitória, desprezando o patrimônio enorme constituído por ele PT, ao ter conquistado o apoio da população operária brasileira. Com este movimento, o PT desqualifica-se como partido e avilta a boa fé da maioria da população que o apoiou. PSDB e PT, partidos protagonistas apresentaram equívocos evidentes. O PSDB não conseguiu manter um dialogo com a camada mais pobre da população.  O Governo do PSDB em Minas nos últimos anos foi elitista e se divorciou da população mais carente, justamente aquela que mais precisa do Governo. Aécio Neves detém em sua origem uma identidade muito grande com o povo simples de Minas Gerais e, em especial, com os de Belo Horizonte. Em Minas Gerais, recentemente, os Agentes Políticos que se instalaram no poder, não detinham sequer parecença com esta identidade, criando um distanciamento que enfraqueceu sua essência no que tinha de mais positivo. Para se ter uma idéia, uma simples audiência solicitada a um Secretário de Estado por uma autoridade demorava, no mínimo, 20 (vinte) dias para acontecer. E Com o povo mais simples, impossível, ao contrário de Aécio, sempre solicito e disponível para com os mais humildes.  O caminho de superação desse distanciamento começou a ser trilhado a partir do movimento empreendido pela classe média, que identificou em Aécio Neves uma liderança compatível com o anseio de mudança do modo de se relacionar entre o poder público e a população. De posse deste patrimônio, esperamos que Aécio rompa este cerco elitista em Minas e encontre novamente mecanismos de diálogo com a população mais humilde, dando vazão a seus melhores predicados, que são a bondade, a humildade, a honestidade, a simpatia e a obstinação pelo trabalho. O PT se enredou, repetimos, em um modo fascista de se movimentar e após o movimento neste sentido, ultrapassou um ponto de não retorno, onde o partido tornou-se refém de si mesmo. Os mesmos mecanismos utilizados contra os oponentes passam a ser utilizados internamente, sendo, pois um depositário de crises previsíveis e cada vez mais graves. A população que o apoia, ou seja, seu maior patrimônio, não será suficiente para impedir o processo de auto corrosão que a história ensina que sempre se instala de modo inevitável em regimes da natureza citada. A prática da ganância pelo poder, irá também promover o divórcio do partido com a grande maioria da população, a partir do momento em que esta detiver avanços sociais suficientes, que permita inclusive almejar a promoção de uma evolução na escolha de seus representantes políticos, rompendo o jugo da manipulação a partir do assistencialismo. É uma condição inerente a natureza humana ambicionar cada vez mais conquistas, até certo ponto material, mas também social. Novamente, a partir dos escombros de uma ampla derrota, se manifesta em primeiro lugar o PSDB de BH, como assim o fez em 1992 e 1998. E se manifesta atendendo o apelo do nosso líder maior, Aécio Neves, no sentido de não nos dispersarmos. Ao mesmo tempo procuramos ampliar este apelo, ao fazer um chamado de voltarmos nossas atenções de modo efetivo para a população mais carente de nosso Estado e para as lutas sociais. Façamos através dos Núcleos Partidários, um mecanismo de interlocução com a população, que possa vencer o distanciamento construído por um tempo de equívocos elitistas.  A partir destas iniciativas, estamos certos de que a tão almejada mudança nos padrões de vida em nossa sociedade serão alcançados, tendo o PSDB como um vetor importante. O principal nós temos, uma congregação importantíssima de uma enorme parcela da sociedade em torno de pensamentos comuns. Um líder nato, com raríssimas qualidades, vocacionado para bem servir a população brasileira. E a humildade de fazermos autocrítica aprendendo com os erros, sabendo entender a voz das ruas e buscando inspiração em princípios básicos de correção, honestidade, solidariedade, ética e dedicação a causa pública. Move-nos a certeza de que sendo a causa boa, todo o esforço vale a pena. E usamos para encerrar a mesma oração utilizada pelo nosso líder. ”Combatemos o bom combate, completamos a travessia e não perdemos nossa fé”. Inicia-se a partir deste momento um novo bom combate. Vamos juntos praticar a travessia em busca de um Brasil melhor.   Sejam bem vindos os novos filiados, bem como aqueles filiados do partido que mudaram seu domicílio eleitoral para Belo Horizonte. Executiva Municipal do PSDB de Belo Horizonte.03/Nov./2014"  

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