Cliques por mais gentileza no Face somam 8 mi por semana

Executivo do grupo escalado para gerar mais empatia na rede está otimista com resultados

iG Minas Gerais | Nick Bilton |

Crédito: James C. Best Jr / The
undefined

Nova Iork, EUA. Dos 7.185 funcionários do Facebook, Arturo Bejar talvez seja o cara com o serviço mais complicado. Não, ele não é responsável por aumentar o faturamento com propagandas, nem manter o site funcionando 24 horas por dia.

Bejar tem uma tarefa muito mais insondável: ensinar o 1,3 bilhão de usuários do site, especialmente as dezenas de milhões de adolescentes, como ser respeitosos e gentis uns com os outros.

Respeitoso? Na internet? Tá fácil! Isso nunca vai dar certo. Todo mundo sabe que as mídias sociais são uma disputa constante para ver quem consegue ser mais maldoso. Se Bejar acredita que é capaz de fazer os usuários do Facebook ficarem bonzinhos, só temos uma coisa para dizer – imitando um comentário clássico do Facebook: “Como você é burro, cara!”

Mas é exatamente isso que Bejar quer. Diretor de engenharia da equipe de Proteção e Cuidado do Facebook, que conta com 80 pessoas, ele acredita que a maioria dos usuários não quer ser má e que voltaria atrás nos comentários (e até se sentiria mal com eles) se percebessem que alguém ficou ofendido.

“A forma como nosso cérebro funciona evoluiu para que a gente se entenda pelo tom de voz ou pela expressão facial, mas isso se perde nos aparelhos que utilizamos para a comunicação”, afirmou Bejar na semana passada, em uma entrevista no escritório do Facebook, em Nova York.

Em outras palavras, Bejar está tentando criar empatia entre os usuários do Facebook da mesma forma como acontecia no passado em lugares como o parquinho da escola, por meio de indicadores sociais como risos e choro.

Esse pode parecer um projeto paralelo bobo para algumas pessoas. Mas acredito que o sucesso das mídias sociais depende em grande parte da solução desse problema, nos ensinando gentileza e empatia. A maioria das pessoas que conheço que optaram por sair de serviços como o Twitter e o Instagram o fizeram porque os comentários eram agressivos, insensíveis ou simplesmente inaceitáveis. De acordo com um relatório lançado em outubro pelo Projeto Internet da Pew Research, 65% dos jovens entre 18 e 29 anos nos EUA afirmam que foram assediados na rede, e 92% já testemunharam algum tipo de assédio.

Sucesso. Contudo, as iniciativas do Facebook para evitar essas situações podem estar funcionando. A empresa me disse que a cada semana 8 milhões de membros utilizam ferramentas que permitem reportar fotos ou comentários ofensivos (para usar a ferramenta, basta clicar na flechinha que fica no canto superior direito de cada post, ou no botão de “opções” abaixo de cada foto).

A equipe de Bejar criou essas ferramentas para permitir que as pessoas saibam que alguém ficou ofendido, e ele afirmou que o sistema funciona muito bem (isso é diferente do experimento feito na linha do tempo das pessoas em junho, quando o Facebook foi alvo de críticas por tentar alterar as emoções dos usuários como parte de um estudo psicológico que visava examinar como as emoções são transmitidas pelas redes sociais).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave