Quando o trash acaba ficando bom

“Haven” e “Gomorrah” são as novidades de hoje na TV paga brasileira

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Múltipla. A atriz Emily Rose como Audrey Parker na série “Haven”
syfy/divulgação
Múltipla. A atriz Emily Rose como Audrey Parker na série “Haven”

 

Todo mundo que gosta de séries de televisão acaba escolhendo uma para ser seu prazer secreto. Aquela que é tão ruim, mas tão ruim, que a gente sente culpa por ver e tem vergonha de contar para os amigos – mas não perde um episódio. “Haven” é dessas. Baseada no livro de terror de Stephen King “The Colorado Kid”, a série estreia hoje sua quinta temporada no Brasil, às 21h, no canal SyFy.

A emissora, por si, já diz muito sobre o que se pode esperar. As produções de ficção científica não estão no gosto da massa – e, neste caso, o que se tem é muita ficção e pouca ciência. A pequena cidade litorânea de Haven, no Estado norte-americano do Maine, vive sob uma maldição: seus moradores têm “problemas” sobrenaturais. A cada 27 anos, os problemas retornam, e, com eles, vem uma heroína capaz de solucioná-los. Quando a mocinha desaparece de novo, os problemas também somem por mais 27 anos.

Para os roteiristas, é quase um vale-tudo de problemas. Já teve um bebê cujo choro matava pessoas ao redor. Já teve pessoas que trocam de corpo com alguém de quem escondem um segredo. Já teve um problema que permitia aos mortos falar com os vivos. Em outro caso, as emoções ditavam o clima, provocando tempestades. Um dos mais bizarros mostrava uma pessoa com o poder de tornar fantasias reais. E, nesta temporada, preparem-se: veremos uma mulher que “solta” raios laser pela barriga, incendiando coisas e matando quem está em volta.

Dá para imaginar os roteiristas em volta de uma mesa, apostando quem vai ter a ideia mais maluca do ano, e eliminando as que são comunzinhas: “Essas ficam para outras séries”.

Ali, os problemáticos raramente são apresentados como pessoas más. São apenas azarados, escolhidos por alguma razão que, até agora, parece ser aleatória. Os problemas, em geral, são ativados por estresse emocional – e são de família. Quando voltam, a cada 27 anos, sempre aparecem nas novas gerações. E mais: pessoas problemáticas de outros lugares procuram Haven para serem ajudadas, porque a lenda da moça que pode “curá-los” corre solta.

Destaque. Nessas cinco temporadas de “Haven”, Emily Rose tem a chance de mostrar que, embora nunca tivesse ganhado um papel de expressão antes da série – que nem é tão expressiva assim –, dá conta do recado. Seu personagem de maior destaque é Audrey Parker, agente do FBI que vai a Haven investigar a morte de um rapaz, o tal “Colorado Kid” do título do livro.

Atualmente, ela interpreta também outra personagem, Mara. Mas já apareceu como Lucy, Sarah, Veronica, Lexie, cada uma numa época diferente, com profissões diferentes, mas sempre com a missão de ajudar. É como se ela fosse uma pessoa com vários indivíduos engavetados lá dentro. Ou, pelo menos, ela não envelhece e sempre reaparece com as memórias de outra pessoa. Fique à vontade para criar sua própria teoria – espaço para isso não falta em “Haven”.

Graduada e pós-graduada em teatro e artes, Emily Rose tem mostrado o que aprendeu nas aulas na universidade. Pela primeira vez no programa, ela sai da pele da boazinha e dá vida a uma vilã – que, parece, foi a criadora de todos os problemas, séculos atrás, por pura diversão. “O bom de estar numa quinta temporada é que você já tem toda essa mitologia estabelecida”, disse a atriz, em entrevista à “Real Style”. “Então, quando fãs ou telespectadores voltam, você pode realmente brincar naquele meio”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave