O irmão que nunca conheceu

Novo romance de Chico Buarque retoma história familiar sobre um filho ilegítimo de Sérgio Buarque de Holanda

iG Minas Gerais |

Expectativa. “O Irmão Alemão” será lançado no próximo dia 14 de novembro, desdobrando uma antiga obsessão do compositor
Daryan Dornelles/Folha Imagem
Expectativa. “O Irmão Alemão” será lançado no próximo dia 14 de novembro, desdobrando uma antiga obsessão do compositor

 

SÃO PAULO. O conteúdo do novo romance de Chico Buarque, “O Irmão Alemão”, será conhecido só no dia 14, mas pelo menos o título da obra é inspirado em uma obsessão que acompanha o autor há quase 50 anos: a história de seu meio-irmão Sérgio Georg Ernst, a quem nunca conheceu. Foi na segunda metade dos anos 1960 que o compositor descobriu a existência do irmão, filho de seu pai, o historiador Sergio Buarque de Holanda (1902-1982), com Anne Margerithe Ernst, sua namorada quando viveu em Berlim, no fim dos anos 1920. 

Sérgio Georg Ernst nasceu por volta de 1930, seis anos antes de Sergio Buarque de Holanda se casar, já no Brasil, com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, mãe de Chico e de seus seis irmãos. Quem revelou a Chico a existência do irmão foi o poeta Manuel Bandeira (1886-1968), amigo do historiador, durante visita de Chico, Tom e Vinicius a sua casa. “No meio de algumas lembranças ele mencionou ‘aquele filho alemão’. Eu perguntei: ‘Que filho?’. Eu não sabia que meu pai tinha tido um filho na Alemanha”, contou Chico, em 1994, à “Folha de S.Paulo”.

“Fiquei muito chocado e, quando pude ir a São Paulo, perguntei ao meu pai. No começo ele não quis falar, mas depois abriu o jogo”, disse. A única vez que Sergio Buarque de Holanda teve notícias do filho foi na Segunda Guerra: a ex-namorada escreveu pedindo documentos que provassem que o menino não tinha ascendência judaica.

Chico e seus irmãos sempre tentaram encontrar o meio-irmão, sem sucesso. A hipótese mais forte é que ele tenha morrido na guerra. “Sempre que ia à Alemanha, Chico olhava curioso para os rostos dos homens para ver se reconhecia em alguém os traços dos Buarque de Holanda”, lembra Regina Zappa, biógrafa do compositor.

É provável que Chico tenha aprofundado a pesquisa para escrever “O Irmão Alemão”. Cada vez que alguém ia para a Alemanha, chegava com alguma pista ou história. Mas quem descobriu mesmo foi o Chico, afirma a irmã Miúcha, que diz não saber o quanto é ficção e o quanto é realidade nessa descoberta. Isso pode ter sido mais relevante para o autor do que para o romance – que, afinal, trata-se mesmo de uma ficção.

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