Novo motor 2.5 16V flex dá ânimo à Chevrolet S10

Afora o desempenho, picape mantém características gerais, mesmo com mudanças na suspensão e no interior

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Chevrolet S10 LTZ 2.5 16V Flex
Alexandre Carneiro
Chevrolet S10 LTZ 2.5 16V Flex

Potência sempre foi umoderoso argumento de venda. A Chevrolet sabe disso, e desde o lançamento da linha 2015 da S10, há cerca um mês e meio, gaba-se de ter a picape mais potente do segmento, graças à introdução de um novo motor 2.5 16V flex, da família Ecotec, dotado de injeção direta, duplo comando de válvulas variável, construção integral (bloco e alumínio) e corrente de comando (que substitui a temida correia dentada). O resultado de todas essas tecnologias é a entrega de nada menos que 206 cv com etanol e 197 cv com gasolina. Já o torque não é tão impressionante, mas também merece respeito: são 27,3 kgfm com o combustível vegetal e 26,3 kgfm com o derivado do petróleo. De quebra, o propulsor ainda dispensa o incômodo tanquinho de partida a frio.

Na prática, toda essa força deixou a S10 bem mais gostosa de dirigir, em comparação às versões equipadas com o velho motor 2.4 Flexpower, que agora equipa unicamente a versão básica LS. Mas não há milagre: como a picape é pesada, com 1.979 kg na balança, a agilidade fica comprometida. É preciso fazer reduções de marcha e fazer o propulsor trabalhar em giros mais altos para conseguir respostas rápidas em retomadas de velocidade.

Uma vez que o motorista mantenha as rotações em regimes mais elevados, o desempenho é muito bom, até surpreendente para uma caminhonete de maior porte. Também agrada a docilidade do modelo em meio ao trânsito urbano: excetuando-se as dimensões externas exageradas, ele se comporta mais como automóvel que como utilitário, com baixo nível de ruído, embreagem macia e direção leve.

Nova transmissão

O motor 2.5 trabalha em conjunto com um câmbio manual de seis marchas, com bons engates (para um utilitário), que substitui o anterior, de cinco velocidades. Ao menos por enquanto, não há opção de transmissão automática (quem a quiser deve optar por uma das versões a diesel, consideravelmente mais caras). Mas, pela primeira vez, o fabricante associa, opcionalmente, a tração 4x4 com reduzida ao propulsor flex, que inclui também o acionamento eletrônico por meio de um seletor no console.

Todo esse aparato off-road também permite que a S10 supere caminhos difíceis sem dificuldades. O Carro&Cia enfrentou uma estrada rural em condições bem ruins a bordo da picape, com direito a grandes desníveis, pedregulhos e até a travessia de um riacho, transposto com muita tranquilidade. Méritos também para a generosa altura em relação ao solo, de 22,8 cm.

Além da melhora em desempenho, a Chevrolet informa que o novo motor fez com que a S10 ficasse 6% mais econômica. Pode até ser, mas o fato é que, ainda assim, o consumo mostrou-se bastante elevado. Durante a nossa avaliação, a picape registrou médias de 7,0 km/l na cidade e de 8,4 km/l na estrada, quando abastecida com gasolina. A utilização de etanol, como era de se esperar, tornou os números ainda mais baixos: 5,0 km/l em ciclo urbano e 6,2 km/l em trajetos rodoviários. Ao menos o tanque de combustível tem 80 l de capacidade, o que colabora para dar uma autonomia entre 480 km e 672 km à picape.

A troca do motor e do câmbio veio acompanhada por melhorias também na suspensão da linha 2015 da S10, com a introdução de molas e amortecedores recalibrados na traseira e de novas buchas na dianteira. Apesar disso, o comportamento dinâmico da picape pouco se alterou. Em pisos irregulares, ela continua pulando mais que o desejável, gerando desconforto aos ocupantes. Já no asfalto, em alta velocidade, o conjunto permite que a carroceria incline demais em curvas, prejudicando a estabilidade.

Habitalidade

Por dentro, a caminhonete traz mudanças apenas no revestimento do painel e das portas, que ganhou enxertos em plástico preto brilhante, além do console central, que agora exibe forração idêntica à dos bancos. Esses detalhes ajudam a transmitir ideia de sofisticação, mas a verdade é que o acabamento da S10 não chega a ser luxuoso, com a presença, em grandes quantidades, de plásticos rígidos. Além do mais, um olhar mais atento percebe encaixes imperfeitos em alguns locais, como no console central.

O espaço para os passageiros é bom, mas há um inconveniente comum em picapes médias: o banco traseiro é muito baixo e faz com que os ocupantes viajem com os joelhos mais altos que os quadris. A posição de dirigir, por sua vez, proporciona bom acesso aos comandos e volante com pegada correta, mas a direção é regulável apenas em altura, e não em profundidade, o que pode fazer com que nem todos encontrem a postura ideal. Além do mais, os instrumentos são um tanto pequenos, o que prejudica a leitura, embora a linha 2015 tenha ganhado um útil econômetro digital. A caçamba tem 1.570 l, e a capacidade de carga da versão é de 771 kg.

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