Diretor dos Correios é condenado por pedir voto para Dilma em MT

Correspondências foram encaminhadas aos 1.700 funcionários da empresa no Estado; elas, Nilton do Nascimento dizia que o Brasil precisava "avançar mais" e que somente a vitória da petista poderia "ampliar os programas sociais"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Justiça Eleitoral condenou o diretor regional dos Correios em Mato Grosso, Nilton do Nascimento, pelo uso indevido do cadastro de funcionários da empresa em cartas com pedidos de voto à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

As correspondências foram encaminhadas aos 1.700 funcionários da empresa no Estado. Nelas, Nascimento dizia que o Brasil precisava "avançar mais" e que somente a vitória da petista poderia "ampliar os programas sociais e econômicos".

"Pedi o seu voto em 2010 e conquistamos muito com isso [...] isso só foi possível graças ao seu voto para o governo do PT", disse o diretor, em um dos trechos.

Em representação protocolada no Tribunal Regional Eleitoral, o sindicato dos servidores dos Correios denunciou Nascimento por suposto uso irregular do banco de dados funcional da entidade. Em nota divulgada à ocasião, o diretor disse que enviou as correspondências "na condição de cidadão", sem uso da estrutura da estatal e com recursos próprios.

"A participação do profissional, como cidadão, nessa ou em outra atividade, fora do âmbito dos Correios e fora do seu expediente de trabalho, diz respeito à pessoa e não à empresa", disse.

À Justiça Eleitoral Nascimento afirmou que as cartas foram endereçadas aos locais de trabalho dos servidores na capital e no interior do Estado e que essas informações estão disponíveis no site dos Correios.

O juiz Alberto Pampado Neto, porém, não aceitou a justificativa. "O endereço das unidades pode ser de conhecimento público, mas o nome de cada um dos funcionários que trabalha na unidade é informação privativa da empresa", argumentou.

O diretor foi condenado a pagar a multa mínima estabelecida pela Lei Eleitoral: R$ 5.000. Por meio de sua assessoria, Nascimento disse que irá recorrer da decisão.

Em nota, ele disse que "trabalha na empresa há mais de 36 anos e, portanto, conhece a maioria dos colegas de trabalho pelo nome completo, não sendo necessária a utilização de nenhum banco de dados da empresa".

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