Presidente da Venezuela anuncia aumento de 15% no salário mínimo

Na cotação de oficial, isso equivale a US$ 776 e representa o salário mínimo mais alto da América Latina; mas há temores de que a medida aumente mais a inflação

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Maduro repudia projeto dos Estados Unidos de sanções a funcionários venezuelanos
Divulgação
Maduro repudia projeto dos Estados Unidos de sanções a funcionários venezuelanos

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite de segunda-feira (3) um aumento de 15% do salário mínimo a partir de dezembro, num aparente esforço para atenuar os efeitos da inflação antes das festas de fim de ano.

Mas há temores de que a medida tenha um efeito oposto do desejado pelo risco de aumentar ainda mais a inflação de 63%, uma das mais altas do mundo. O salário mínimo passa a ser de 4.889 bolívares.

Na cotação de oficial, isso equivale a US$ 776 e representa o salário mínimo mais alto da América Latina. Mas, na cotação paralela, amplamente usada, trata-se do mais baixo da região -US$ 50. É o terceiro aumento neste ano: em janeiro, houve um de 10% e, em abril, de 30%.

Maduro disse que a medida é necessária para "proteger os trabalhadores" contra a suposta "guerra econômica" travada pela oposição. Maduro, eleito após a morte de Hugo Chávez, em 2013, sustenta que a inflação e a grave escassez de remédios e itens básicos são frutos de um complô da direita e do setor privado para minar os avanços sociais trazidos pelo governo.

Muitos economistas, porém, afirmam que a crise reflete a ineficiência das políticas chavistas, que incluem controle cambial, expropriações e subsídios em larga escala, que distorcem preços e salários.

Graças aos subsídios, o governo consegue manter artificialmente baixo o valor de muitos preços, o que atenua o efeito da inflação. Encher o tanque de um carro médio custa o equivalente a US$ 0,07 na cotação paralela. Uma passagem de metrô em Caracas vale US$ 0,01.

A gastança pública, porém, está pressionada por adversidades no setor petroleiro, que responde pelo ingresso de 9 entre cada 10 dólares no país. O preço do barril no mercado mundial vem batendo há várias semanas abaixo de US$ 85, a cotação mais baixa desde 2012.

A produção também está em queda por causa da falta de investimento e da má gestão. Em 1997, a Venezuela produzia 3,7 milhões de barris por dia, contra atuais 2,3 milhões barris, segundo estimativas.

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