Homens conquistam vida saudável após câncer de próstata

Urologista do Einstein explica que a recuperação é rápida e os possíveis efeitos colaterais são tratáveis com tecnologias cada vez mais acessíveis

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Injeção deve ser tomada a cada seis meses, facilitando a adesão ao tratamento
HANS THOURSIE/STOCK.XCHANG
Injeção deve ser tomada a cada seis meses, facilitando a adesão ao tratamento

A prevenção e a detecção precoce são os melhores caminhos para evitar os efeitos graves do câncer de próstata, como alerta a campanha do Novembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre a doença. Apesar de tanta informação disponível, por que alguns homens ainda são resistentes a procurar ajuda médica? Especialistas alertam que – além do preconceito do exame - muitos ainda temem os efeitos do tratamento da doença, acreditando que podem ficar debilitados pela cirurgia.

A verdade é que o tratamento de câncer de próstata tem rápida recuperação e todos os possíveis efeitos colaterais são tratáveis de forma cada vez mais acessível no Brasil. “O câncer de próstata é uma doença muito frequente e pode ser curada, desde que diagnosticada precocemente. O homem não deve deixar de procurar seu urologista por medos infundados. As consequências do tratamento do câncer podem ser tratadas adequadamente, mas a evolução do tumor, sem tratamento, pode levá-lo a uma situação de impossibilidade de cura”, alerta o urologista Luis Seabra Rios, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O médico explica que a recuperação tem duas fases. Na primeira, que dura de sete a 14 dias, é mantida uma sonda uretral de proteção. “Retirada esta sonda, o paciente volta a urinar espontaneamente e fica em observação, para saber se está tudo bem”, explica. Se não houver efeitos colaterais na cirurgia, o paciente volta a vida normal em quatro semanas.

Sem efeitos Os efeitos colaterais pós cirurgias estão cada vez menos frequentes, mas – quando acontecem – já contam com um aparato da medicina para resolvê-los. Uma parte dos pacientes pode apresentar disfunção erétil, que varia de acordo com a idade e comorbidades. Outra possível complicação é a incontinência urinária, mais rara. “Incontinências importantes que necessitem de tratamento cirúrgico ocorrem em cerca de 5 a 8% dos pacientes”, explica.

Apesar de afetar muito a vida do paciente, a disfunção erétil pode ser resolvida de forma bem-sucedida. “Há várias formas de tratamento que incluem medicamentos orais, injeções e implante de próteses penianas. Essas alternativas são bastante eficazes e raramente o paciente deixa de recuperar a função sexual quando busca tratamento”, afirma.

Já a incontinência urinária pode ocorrer de forma leve até um ano após a cirurgia. Depois deste período, o paciente deve procurar ajudar médica caso continue apresentando o problema, que tem solução. Nos casos leves e moderados, o tratamento é feito com slings – malhas cirúrgicas que funcionam como um suporte reforçando a sustentação da uretra - e injeções endoscópicas. Nos casos graves, o tratamento recomendado é a colocada de uma prótese, chamada de esfíncter urinário artificial.

A boa notícia é que, desde o começo do ano, brasileiros com incontinência urinária começam a receber autorização dos planos de saúde para colocar esta prótese, considerada o padrão ouro da medicina. Até então, para ter direito à cirurgia – única eficaz nos casos graves - era preciso recorrer à justiça.

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