Após alta em agosto, produção industrial volta a cair em setembro

Com essa nova queda -que repete o fraco desempenho do setor em meses anteriores-, a indústria já acumula um recuo de 2,9% neste ano

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Divulgação
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Depois de uma leve alta em agosto, a produção industrial brasileira voltou a apresentar resultado negativo e caiu 0,2% em setembro, informou o IBGE nesta terça-feira (4).

Com essa nova queda -que repete o fraco desempenho do setor em meses anteriores-, a indústria já acumula um recuo de 2,9% neste ano.

A produção industrial iniciou 2014 em alta e passou a uma trajetória de queda nos últimos meses até agosto, quando, em relação a junho, teve alta de 0,7%. As quedas recentes da indústria se dão em cenário de baixo investimento, queda da confiança dos empresários na economia, estoques em alta e freada no consumo.

Não é apenas a indústria que opera no negativo. O ano se aproxima do final com uma rara combinação de resultados em vermelho na economia, que incluem as contas do governo federal, as transações com o resto do mundo e a renda média por habitante.

Não se trata de mera coincidência: em todos os casos, os números negativos dão sequência a processos de deterioração iniciados anos antes e agravados durante o governo Dilma Rousseff, informa reportagem da "Folha de S.Paulo" publicada nesta terça.

E todos têm um parente em comum: a queda da poupança do governo e do país no período, quando cessou o processo de enriquecimento proporcionado pela era de bonança internacional.

O Brasil -famílias, empresas e repartições públicas- poupava algo como 20% de sua renda em 2008, antes de ser atingido pelos efeitos da crise global. De lá para cá, a taxa caiu para 14%.

A poupança nacional deixou de ser suficiente para bancar as obras de infraestrutura e os equipamentos necessários para a produção de bens e serviços. Com isso, os brasileiros compram, para consumo e investimento, mais do que produzem.

Na pensamento econômico da presidente Dilma e sua equipe, o aumento do consumo -induzido por crédito, benefícios sociais e subsídios- levaria as empresas a elevar a produção, reativando a expansão da renda e da arrecadação de impostos. A receita, porém, desandou: a combinação de cenário global adverso, deficit nas transações com o exterior e inflação elevada -outra consequência do descompasso entre demanda e oferta- derrubou a confiança de empresários e investidores.

Em setembro ante igual período do ano passado, o recuo da indústria foi de 2,1%. Nessa base de comparação, o resultado também ficou abaixo do previsto por analistas, que esperavam um recuo menor, de 1,8%.

No acumulado em 12 meses, a produção industrial recuou 2,2%.

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