‘Não existem temas proibidos, o diálogo é sempre positivo’

Odair Cunha Presidente do PT de Minas Gerais e deputado federal reeleito

iG Minas Gerais |

“O desafio de fazermos um governo de forma regionalizada”
RICARDO MALLACO / O TEMPO
“O desafio de fazermos um governo de forma regionalizada”

Ele fala da parceria com o PMDB, diz que o acordo para ceder a presidência da Assembleia ao aliado depende de conversa com outros partidos e promete construir pontes com siglas que estão fora do arco das alianças.

Candidato, faça um balanço do que viu dessa vitória do PT nas eleições para governador e para presidente.

O importante é que as pessoas se mobilizaram, foi uma eleição em que o cidadão participou mais intensamente. Eu creio também que as redes sociais foram importantes para que o cidadão opinasse mais. Foi um grande exercício da democracia brasileira. Com a escolha do Fernando Pimentel para o governo do Estado e com a reeleição da presidente Dilma, o que se pode esperar do PT no comando do Estado? Em que ele se difere do governo atual?

Nós vamos trabalhar de maneira integrada com o governo federal. Existem várias competências da União e do Estado que podem ser articuladas. E o grande desafio colocado para nós neste momento é identificar essas oportunidades e fazer com que elas ocorram aqui em Minas Gerais. O nosso governador, Fernando Pimentel, apresentou no seu plano de governo, o desafio de fazermos um governo de forma regionalizada, participativo, que compreenda as mais diversas características de Minas Gerais, que é um Estado plural, que tem demandas diferentes. Nós colocamos no nosso plano de governo e o governador Fernando Pimentel defendeu muito a criação dos Centros de Especialidades Médicas, nas mais diversas regiões de Minas. A presidente Dilma Rousseff colocou em seu programa o projeto Mais Especialidades. São ações complementares que nós vamos desenvolver. Parece que a questão da regionalização é um dos focos do governo do PT?

Sim. Porque você tem um Estado muito plural, em que as demandas são as mais diversas possíveis. O que nós tivemos ao longo desses últimos 12 anos foi uma ausência do Estado. Nós vamos no governo de Fernando Pimentel recuperar o papel do Estado nas mais diversas áreas, como a na educação, saúde e segurança pública. Para o Estado participar mais é preciso que haja recursos. Como é possível superar essa questão financeira? Após a eleição, qual é a real situação financeira do Estado?

A real situação, nós vamos saber a partir do dia 1° de janeiro. A equipe de transição nomeada pelo governador eleito, Fernando Pimentel, já começou seu trabalho, o grande desafio é ter um diagnóstico do Estado. Mas já sabemos que os números não são bons. É preciso usar muita criatividade e também, efetivamente, buscar parcerias com o governo federal. Como o partido e os aliados vão fazer para conseguir ter uma maioria consolidada na Assembleia?

Construir pontes, buscar estabelecer o diálogo com os partidos e com os parlamentares. O grande desafio nosso hoje na Assembleia Legislativa é construir uma base somada aos partidos que estão conosco. O PMDB, PRB, PCdoB e PROS foram partidos que participaram da nossa aliança num primeiro momento. Mas, evidentemente, nós entendemos que é preciso ter maioria na Assembleia e vamos buscar esse entendimento com os mais diversos parlamentares. Não existem temas proibidos, o diálogo é sempre positivo. O que podemos esperar de participação do PMDB tanto no governo quanto nessa discussão sobre a presidência da Assembleia?

O PMDB é um partido importante, que antes da disputa eleitoral de 2014 já fazia bloco de oposição na Assembleia conosco. A nossa aliança com o PMDB não é só desta eleição, já foi editada na Assembleia. Nós temos uma parceria importante com o PMDB nacionalmente, no governo da presidente Dilma. Eles participaram do primeiro governo, indicaram o vice-presidente Michel Temer. A nossa expectativa é que essa parceria tenha continuidade. Quem ajuda a ganhar a eleição, naturalmente vai ajudar a governar. Mas há alguma definição em termos de espaço no governo? Alguma área já específica que esteja alinhavada?

Quem vai decidir isso, evidentemente, será o governador Fernando Pimentel. É ele quem vai convidar o PMDB para ocupar esse ou aquele espaço. É um tema que o governador cuida. No caso da Assembleia, é mais provável que o PMDB assuma a presidência neste primeiro momento ou isso ainda não está definido?

O que eu tenho conversado com a liderança do PMDB e com o meu partido é que esse acordo seria bom. Mas é bom dizer que esse acordo deveria envolver outros partidos, outros parlamentares. Então, eu diria que estamos numa fase de gestação desse processo. Ainda sobre essa relação com o PMDB, algumas arestas precisam ser aparadas para que a presidente Dilma não tenha dificuldade para aprovar os projetos?

O PMDB é importante para governabilidade no Executivo e no Legislativo. Agora, diferentemente do que ocorre na Assembleia, lá o PT reivindica a presidência da Câmara e terá um nome a apresentar. Esse é um processo que também está em fase de gestação – sobre qual seria o candidato do PT para a presidência da Câmara dos Deputados. É legítimo que o PMDB apresente seu nome, agora a eleição será em 1° de fevereiro. Há um tempo até lá, mas é claro que o PMDB irá apresentar um nome e o PT também. No caso do PMDB, o nome de Eduardo Cunha assusta o governo de alguma maneira?

Não. Qualquer parlamentar do PMDB tem a prerrogativa de se colocar como candidato à presidência da Casa. O regimento admite, inclusive, candidatura avulsa. Repito, o PMDB é um partido importante e nós vamos dialogar com os parlamentares do PMDB. Obviamente a nossa expectativa é que o vice-presidente Michel Temer participe desse diálogo. E é claro que a presidência da Câmara é central para a governabilidade como também é a do Senado. Nós poderíamos, por exemplo, editar um entendimento em que o PMDB presida o Senado Federal e o PT venha presidir a Câmara. É um acordo de equilíbrio de forças. Dá pra se pensar que esses acordos todos que já foram feitos contemplem 2016 de alguma maneira? Como na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte?

Os partidos têm suas pretensões locais. Nós estamos falando do projeto estadual. Agora, tanto quanto possível, nós vamos produzir acordos nos municípios. É desejável que esses acordos ocorram. Não só em relação ao PMDB, mas também em relação aos partidos que darão sustentação ao nosso governo. É claro que é um exercício democrático e que eu tenho que respeitar a pretensão de cada partido, do PMDB, do PT e de outros. Mas tanto quanto possível, é importante que haja acordo na disputa municipal também. Quem terá o papel decisivo nas escolhas do partido em 2016?

Nesse quesito eu entendo que o governo tem que se preocupar em governar. Esse tema estará a cargo dos partidos, dos presidentes estaduais, vamos estar dialogando e pensando nas eleições de 2016. Mas neste momento, toda a energia está concentrada em garantir a governabilidade de Pimentel. Como será a participação dos mineiros no governo da presidente Dilma?

Mais do que ter cargos, é necessário ter a ação do governo. A presidente Dilma teve uma ação no seu governo no nosso Estado, isso em seu primeiro mandato. A nossa expectativa é que essa ação seja ampliada. E, é claro que nós vamos estar sempre atentos às demandas dos mineiros. As discussões em relação ao metrô e ao Anel Rodoviário passavam por um choque entre o governos estadual e federal. Agora, o governo estadual e federal estão na mesma linha... Não haverá choque, haverá integração permanente. Agora é bom dizer que o choque apareceu na antevéspera da eleição. A relação da presidente Dilma com o governo do Estado foi sempre uma relação republicana. O que podemos esperar desse segundo mandato da Dilma?

A presidente colocou temas importantes em seu programa. Nosso entendimento é que o voto apontou por mais mudanças no mesmo rumo. O voto não foi para fazer rupturas, e isso precisa ser compreendido. Nós entendemos que saúde, emprego, geração e distribuição de renda devem ser uma obsessão permanente do governo.

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