Bordando a bola da felicidade

Tereza Barreto coordena oficinas motivacionais na Unicamp

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |

Artista plástica. Tereza Barreto desenvolveu a oficina Bola da Felicidade em que o bordar é só um pretexto para abordar o ser interno
Antonio Scarpinetti/Unicamp
Artista plástica. Tereza Barreto desenvolveu a oficina Bola da Felicidade em que o bordar é só um pretexto para abordar o ser interno

Ela tem uma motivação contagiante com o trabalho que desenvolve há 28 dentro da Unicamp, as oficinas motivacionais de bordado realizadas na pró-reitoria de assuntos comunitários.

Tereza Barreto, 54, ex-freira, artista plástica, bordadeira, escritora, criou a oficina Bola da Felicidade em que o bordado é utilizado como instrumento de sensibilização para registrar histórias de vida.

“O bordar é só um pretexto para abordar o ser interno e criativo, construindo assim, novos formatos de convivências e aprendizados onde as lembranças, recordações, recomeços e travessias da vida façam parte dessas vivências concebidas na arquitetura da felicidade de cada um”, explica ela que está organizando o 1º Seminário Nacional de Bordado e suas Histórias, que vai acontecer nos dias 24 e 25 deste mês, na Unicamp, e uma oficina em Belo Horizonte (ver agenda).

Sua bola pessoal tem tramas, cores e superações. Filha de retirantes de seca em Feira de Santana, Bahia, sua mãe teve dez filhos, sendo que, entre ela o irmão mais velho, quatro morreram ainda crianças vítimas da seca, da miséria, da doença e da falta de tratamento médico.

“Quando minha mãe descobriu que estava grávida ela convenceu meu pai a ir embora da Bahia para Japurá, no Paraná, onde nasci muito doente. Tinha febre, diarreia, varicela. Minha mãe sabia que eu não ia durar muito tempo”, relembra Tereza.

Um dia, levando o bebê moribundo para um hospital, a mãe de Tereza, a viu parar de respirar. “Ela carregava um pouco de água benta, passou em mim, fez massagem cardíaca e eu voltei a respirar. No desespero, minha mãe fez uma promessa, que se eu sobrevivesse seria religiosa. Iria me consagrar a Deus”, diz a artista.

Durante oito anos e meio, dos 17 aos 24 anos, Tereza foi freira da ordem das irmãs diocesanas Nossa Senhora das Graças. “Havia feito votos temporários. Em 198,5 pedi para ir para Campinas, precisava de tempo para pensar nos votos perpétuos. Compreendi que a promessa era da minha mãe e não minha, tive muitas conversas com Deus e hoje me orgulho dessa decisão. Entendi que somos protagonistas da nossa própria história”.

Decidida a fazer a diferença, Tereza criou esse método de abordagem em que utiliza manta acrílica, um par de meia esporte usada, de preferência branca, agulha e linhas de todas as cores.

No processo de fazer a bola são trabalhados os medos e as resistências internas de cada um. “Mãos habilidosas vão contando fios, medindo espaços e alinhavando histórias, lembranças misturadas com aromas da infância e canções dos amores vividos e sonhados. Lembranças dos tempos das boas conversas, dos olhares profundos e das boas gargalhadas. Por meio dessa vivência motivadora um ser novo, vivo e protagonista da sua própria história vai surgir”, ensina a artista.

AGENDA: A oficina Bola da Felicidade acontece no dia 8 próximo, das 9h às 18h.  Informações: (31) 9726-9167 e (31) 9992-6884 com Lívia ou Fátima Coelho ou pelo e-mail: liolicoelho@hotmail.com

Origem

História. Há relatos de que a bola da felicidade surgiu no Japão há sete séculos. Quem a carrega consigo tem muita sorte e encontra a verdadeira felicidade que mora em cada um.

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