Israel critica Abbas por chamar de mártir suspeito de matar judeu

Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, enviou correspondência para a família de Muataz Hijazi, morto pela polícia na última quinta (30)

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

FOTO: CHRISTIAN LUTZ/AP
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O governo de Israel criticou nesta segunda-feira (3) o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, por ter enviado uma carta de pêsames em que chama de mártir um suspeito de matar um líder de extrema-direita.

A correspondência foi enviada no domingo (2) à família de Muataz Hijazi, de 32 anos, morto pela polícia israelense na quinta (30) e considerado suspeito de ter matado Yehuda Glick, uma das principais figuras nacionalistas de Israel, na noite de quarta (29).

Glick era conhecido por defender o direito dos judeus de rezarem na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, local sagrado tanto para muçulmanos quanto para judeus. A entrada deles é restrita devido ao risco de confronto com os palestinos.

Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu acusou Abbas de querer piorar a tensão na cidade. "Enquanto tentamos acalmar a situação, ele envia os pêsames após a morte do autor de um crime desprezível", disse.

Na carta, o presidente da Autoridade Nacional Palestina havia acusado "quadrilhas terroristas do Exército da ocupação israelense" de ter matado Hijazi, para quem "morreu como mártir defendendo os direitos do nosso povo e dos lugares santos".

As declarações e as atitudes de dirigentes palestinos e israelenses aumentam a tensão em Jerusalém, palco de confrontos no fim de semana. Desde a noite de domingo, 30 palestinos foram presos pela polícia israelense --23 em Jerusalém Oriental e sete na Cisjordânia.

Assentamentos

Do lado judeu, o governo israelense anunciou a construção de mais 500 casas na colônia de Ramat Shlomo, em Jerusalém Oriental. O anúncio é feito uma semana após o Estado judaico declarar a construção de mais mil casas em duas colônias do lado palestino da cidade.

A ampliação das colônias judaicas em territórios palestinos é apoiada por setores de extrema-direita que dão apoio ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, mas é duramente criticada pelos aliados Estados Unidos e por países da Europa.

Embora tenha orientado seus aliados a evitar uma nova escalada na tensão em Jerusalém, o deputado Moshe Feiglin, que é judeu ortodoxo, passou uma hora rezando na Esplanada das Mesquitas, em frente ao Domo da Rocha.

Enquanto rezava cercado por seguranças, Feiglin foi alvo de protestos de islâmicos, que gritavam "Allahu Akbar" ("Deus é maior", em árabe).

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