Rescaldos da eleição

iG Minas Gerais |

Passada a eleição, reeleita a presidente Dilma Rousseff, já na segunda feira, entre vivas, culpas e ressentimentos, o Brasil seguiu o jogo. O domingo tinha sido emocionante para a nação, diante de uma diferença de votos apertada entre vencedor e derrotado. Estava em questão a continuidade do Estado que temos e de um outro, farto de promessas de mudança, como apelo das campanhas. Proclamada a vencedora, sobraram responsáveis pelas vitórias e as derrotas, em cada município, Estados e Brasil afora. Já no período eleitoral uma das bandeiras mais festejadas foi a vantagem que se desenhava da candidata Dilma no Norte e Nordeste, contra a marcante preferência por Aécio Neves nos Estados das regiões Sul e Sudeste. Essa divisão deu lugar ao preconceito de se dizer que Dilma era a candidata dos necessitados e Aécio dos pensantes. A insistência dos grupos que apoiaram Aécio acabou resultando na eleição de sua adversária. Nada mais nojento e abominável, como todo tipo de preconceito, do que essa divisão que, pelo que se sente, ainda prossegue na consciência infeliz de muitos. Algumas análises publicadas, assinadas por cientistas políticos e estatísticos de grife, trouxeram informações muito interessantes que servirão para futuras análises. Dilma cresceu significantemente em municípios onde o programa Bolsa Família não tinha um apelo marcante. Em São Paulo, onde o empresariado tem forte concentração, a crítica é a presença do Estado no encaminhamento da economia e a vigência das políticas que assegurem o livre mercado. Mas esse mesmo empresariado não se divorcia da regulação permanente exercida pelo setor público, como forma de melhor exprimir as relações de competição, de oferta e alocação de capitais, capazes de proporcionar a melhoria da vida em sociedade, alavancada pelo crescimento, pela poupança e empregabilidade. Os números apurados no segundo turno obviamente impõem a necessidade de que o governo eleito e sua base considerem que os modelos político e de desenvolvimento econômico, hoje em vigor, precisam ser revistos. O resultado aponta para uma divisão muito clara do país mas, mais do que nunca, precisamos reforçar políticas que gerem a unidade, porque não há nação quando esta está submetida à divisão que se quer impor. Passada a eleição, como essa terminou, o que se espera é que a sociedade seja a consciência de luta pelo aperfeiçoamento do país e de suas instituições como um todo. Carecemos de programas de governo propostos e discutidos com a sociedade e que esses traduzam políticas de abrangência coletiva, na direção da melhoria do povo brasileiro como um todo. O momento nos intima à participação, à melhor dimensão de nossas opções, a cobrar que os programas de governo tenham lastro social nas suas opções de crescimento. Queremos políticas e políticos porque as circunstâncias repudiam conluios e bandalheiras.

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