Hungria adia criação de imposto sobre tráfego na internet

Procedimento consistia em cobrar 50 centavos de euro por Gbyte consumido, com um máximo de 2,2 euros por mês para pessoas físicas e 16 euros para empresas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, anunciou nesta sexta-feira (31) que desistiu, por ora, de criar um imposto sobre o consumo de dados na internet, após protestos em massa tomarem as ruas da capital Budapeste nas duas últimas semanas.

"Este imposto em sua forma atual não pode ser introduzido. O governo queria criar um imposto para as telecomunicações, mas o povo o interpretou como um imposto para a internet", disse Orbán para a rádio pública "Kossuth".

"Se as pessoas não apenas rejeitam algo, mas consideram isso insensato, então não deveria ser feito", afirmou. O governo anunciou a nova taxa na semana passada e pretendia arrecadar cerca de 60 milhões de euros ao ano com ela.

O procedimento consistia em cobrar 50 centavos de euro por Gbyte consumido, com um máximo de 2,2 euros por mês para pessoas físicas e 16 euros para empresas.

Budapeste já tinha introduzido um imposto no setor das telecomunicações em 2012. Era cobrada uma taxa de 2 forintes (equivalente a 0,0065 euro) a cada minuto iniciado em ligações de celular e a cada mensagem de texto enviada. Em 2013, a taxa aumentou para 3 forintes.

Protestos

A proposta causou uma onda de protestos, com duas grandes manifestações envolvendo dezenas de milhares de pessoas.

As críticas foram compartilhadas tanto pela oposição como por empresas do setor das telecomunicações e celebridades do país.

Segundo a "Reuters", as manifestações desencadearam protestos mais profundos que mostram o descontentamento de setor liberais da sociedade húngara com a forma de governar de Orbán.

Adiamento

O primeiro-ministro afirmou que em janeiro de 2015 o governo realizará uma "consulta nacional" sobre a internet com um questionário para conhecer a opinião dos cidadãos sobre o assunto. "Devemos receber uma resposta à pergunta de para onde vão os enormes lucros gerados na internet" e se uma parte desse lucro poderia ficar na Hungria, disse Orbán.

As organizações civis que foram para a rua para protestar nas últimas duas semanas ficaram satisfeitas com a desistência dos planos tributários e convocaram uma nova manifestação para "comemorar a vitória" na tarde desta sexta-feira.

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