Após protestos, ditador de Burkina Fasso decreta estado de emergência

Blaise Compaoré, que está no poder há 27 anos, informou que dissolveu seu gabinete e fez um pedido aos líderes da oposição para dar fim às manifestações e iniciar um diálogo

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 O ditador de Burkina Fasso, Blaise Compaoré, decretou nesta quinta-feira (30) estado de emergência após as manifestações violentas contra a sua nova tentativa de se reeleger na capital Uagadugu. Ele está no poder há 27 anos.

Os manifestantes invadiram e queimaram o Parlamento, onde seria votada hoje a emenda constitucional que daria o direito a Compaoré de concorrer a um novo mandato. Outros prédios públicos também foram incendiados.

Em comunicado, o ditador dissolveu seu gabinete e fez um pedido aos líderes da oposição para dar fim às manifestações e iniciar um diálogo. Ele também determinou que as Forças Armadas se encarreguem de fazer a segurança no país.

Segundo o Ministério da Saúde local, uma pessoa morreu durante a onda de violência nos protestos. Inicialmente, o governo havia informado que cinco pessoas tinham morrido.

Os manifestantes continuam na principal praça de Uagadugu, após serem impedidos a tiros pela polícia de chegar ao palácio presidencial. Os agentes também lançaram bombas de gás lacrimogêneo em terra e de helicópteros.

Além de líderes da oposição, como o ex-ministro da Defesa, Kouame Lougue, dezenas de soldados se uniram aos protestos. Eles querem que Compaoré seja deposto e, em seu lugar, seja colocado Lougue.

Reeleição

Compaoré chegaria ao seu quinto mandato. Ele alcançou o poder em 1987 após um golpe de Estado, teve outro mandato de sete anos e concluirá no ano que vem seu segundo período de cinco anos.

Ele tinha 36 anos quando tomou o poder em outubro de 1987, após um golpe de Estado contra seu outrora amigo Thomas Sankara, um carismático e jovem líder conhecido como o "Che Guevara Africano", morto depois de ser derrubado do poder.

A oposição teme que a mudança constitucional, que não deveria ter caráter retroativo, leve o chefe de Estado, eleito quatro vezes com maioria esmagadora, a tentar permanecer no poder por mais 15 anos.

Estados Unidos e França são aliados de Compaoré e usam o país como base de operações militares no Sahel, região que se estende da Mauritânia à Eritreia.

A União Europeia pediu que o líder desistisse da emenda constitucional, e os EUA expressaram preocupação sobre o tema.

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