Manifestantes colocam fogo no Parlamento em Burkina Fasso

Parlamento deve votar nesta quinta um plano do governo para alterar a Constituição, permitindo que o presidente Blaise Compaore se candidate à reeleição no ano que vem; os manifestantes são contra a votação

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Milhares de manifestantes invadiram o Parlamento de Burkina Fasso nesta quinta-feira (30), na capital Uagadugu, e colocaram fogo no prédio antes de uma votação para permitir a reeleição do presidente.

A multidão também se dirigiu ao gabinete do primeiro-ministro, enquanto um helicóptero disparava bombas de gás nos manifestantes.

O Parlamento deve votar nesta quinta um plano do governo para alterar a Constituição, permitindo que o presidente Blaise Compaore, que governa desde 1987, se candidate à reeleição no ano que vem.

"Fizemos isso porque Compaore está tentando ficar tempo demais. Já estamos cansados dele", disse Seydou Kabre, um dos manifestantes. "Queremos mudança. Ele precisa ir".

Os manifestantes tomaram conta do prédio do Parlamento depois que policiais atiraram para cima na tentativa de dispersá-los.

A polícia, que chegou a jogar gás e prender alguns manifestantes, acabou recuando. A televisão estatal do país saiu do ar nesta quinta depois que manifestante invadiram e saquearam o prédio.

Forças de segurança que guardavam o prédio atiraram para o ar na tentativa de dispersá-los.

Protestos

Na quarta, também houve protestos na capital. A oposição afirma que o número de manifestantes chegou a um milhão, algo histórico no continente africano.

Durante o protesto foram registrados confrontos entre jovens e a polícia.

Uma greve convocada pelos sindicatos e a sociedade civil provocou lentidão nesta quarta-feira no funcionamento dos serviços públicos e em algumas empresas.

Compaore

Compaore, que chegou ao poder em 1987 com um golpe de Estado, concluirá no próximo ano seu segundo quinquênio (2005-2015), depois de dois mandatos de sete anos (1992-2005).

Ele tinha 36 anos quando tomou o poder em outubro de 1987, após um golpe de Estado contra seu outrora amigo Thomas Sankara, um carismático e jovem líder conhecido como o "Che Guevara Africano", que foi deposto e assassinado.

A oposição teme que a mudança constitucional, que não deveria ter caráter retroativo, leve o chefe de Estado, eleito quatro vezes com maioria esmagadora, a tentar permanecer no poder por mais 15 anos.

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