A vitória sobre o medo que tentaram infundir na sociedade

iG Minas Gerais |

DUKE
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Gostaria de aplaudir hoje a vitória da oposição sobre o cansaço e, mais que isso, sobre o medo que o estilo de governar do PT continuará infundindo em boa parte do país. E, quando falo em oposição, refiro-me ao PSDB (em especial, ao de São Paulo, ao qual os mineiros guardarão eterna gratidão) e aos partidos que se aliaram a ele. Foram eles os artífices dessa reação que quase se concretizou e que se iniciou com a morte de Eduardo Campos, passou pela performance da ex-senadora Marina Silva, vítima de cruel campanha, e terminou, enfim, na obstinação de um mineiro que segurou bem alto a bandeira da mudança. Os equívocos cometidos pelo candidato Aécio Neves, no início da campanha, principalmente no que diz respeito ao trabalho que desenvolveu no seu Estado, e que, por si só, jamais justificariam as duas derrotas que amealhou, já foram objeto de inúmeras análises. Há palpite para todo e qualquer gosto. O que menos falta, hoje, no Brasil, é “cientista político”, cada um com a sua opinião, como se fosse possível deslindar, num abrir e fechar de olhos, a insondável alma de Minas... São muitos, leitor, os motivos que me fizeram sonhar com a vitória da oposição, mas só um deles, a alternância no poder – já insistentemente referida por mim neste espaço –, seria suficiente, a qualquer um de nós, para alimentar esse sonho. No regime democrático, ela é o oxigênio que o sustenta. Mas há outros. Como, por exemplo, o perigoso aparelhamento do Estado por um partido (até quando o Poder Judiciário ficará imune a essa verdadeira avalanche?); a volta da inflação; a obstinada perseguição de um projeto totalitário de poder; a equivocada política externa (contrária aos nossos interesses); a estagnação da economia; a divisão do país entre “nós e eles” ou entre “ricos e pobres” – uma ideia maluca de Lula; a pérfida exploração política dos marginalizados e despossuídos; a segurança pública; a infraestrutura destruída; a imobilidade urbana; a saúde em frangalhos; a educação que nos envergonha; o desrespeito ao meio ambiente; a necessidade de uma reforma política; a urgência de uma reforma tributária; e, finalmente, a corrupção endêmica, além da gritante incapacidade para o diálogo demonstrada, nesses últimos quatro anos, pela presidente reeleita. E é aqui, isto é, na incapacidade para o diálogo da presidente, que desejo chegar. Na segunda-feira, tanto na Rede Globo quando na Rede Record, e, com atenção, ouvi, e depois conferi nos jornais, a presidente se dirigir aos brasileiros. E, sinceramente, não me senti nem um pouco tranquilo. Primeiro, porque não vi nela objetividade; segundo, porque a achei soberba ao não fazer, sobretudo ao se referir à união, nenhuma alusão ao seu adversário; terceiro, porque, ao falar em reforma política, voltou a insistir na mesma tecla – o plebiscito, que enfrenta resistência no Congresso Nacional, tanto na oposição quanto na sua base de apoio; quarto, porque, ao se referir ao combate à corrupção, falou na primeira pessoa (“eu vou apurar” etc., como se as instituições fossem ela...); quinto, porque aceitou a contratação de investigadores privados “para ir atrás das pistas dadas por seu ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator da operação Lava Jato, que revelou grande esquema de corrupção na estatal, com envolvimento de políticos do PT, PMDB e PP”, numa demonstração de que confia pouco no trabalho da PF e do MPF. Que a presidente Dilma e o (ex) ministro Mantega sejam capazes de enfrentar as trovoadas e chuvas que vêm por aí...

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