De olho em espaço, PMDB articula blocão para isolar o PT

Reconduzido à liderança do partido, Eduardo Cunha já começou a trabalhar por espaços importantes

iG Minas Gerais |

Autonomia. Peemedebistas disseram que derrota de Dilma, com a derrubada do decreto dos conselhos, foi um recado para a petista
luis macedo / câmara dos deputados - 28.10.2014
Autonomia. Peemedebistas disseram que derrota de Dilma, com a derrubada do decreto dos conselhos, foi um recado para a petista

Brasília. Um dia depois de o plenário da Câmara Federal aplicar a primeira derrota à presidente reeleita Dilma Rousseff, com a aprovação do projeto que susta efeito do decreto presidencial que cria os conselhos populares, a bancada do PMDB mostrou que está disposta a jogar duro com o governo federal.  

Reconduzido à liderança do partido e com o aval da sigla para disputar a Presidência da Casa em 2015, Eduardo Cunha (RJ) foi autorizado pelos peemedebistas a costurar a composição de um “blocão”, capaz de se impor numericamente em votações na Casa, além de ter peso para conquistar espaços na cúpula e nas comissões importantes.

As conversas devem envolver principalmente PR, PP, PSC, PTB e Solidariedade. A ideia do PMDB é isolar o PT, maior bancada da Casa com 70 parlamentares na próxima formação – quatro a mais que os peemedebistas. Membros do PMDB dizem que há incômodo com o PT não só pela relação com o Planalto, mas também pela atuação da bancada petista na Casa.

“Na votação desta terça , a Casa deu demonstração de que determinadas posições do PT têm sido rechaçadas pela Casa. Então, não há uma boa harmonia para que o PT consiga impor uma candidatura. Eu tenho dito que acho muito difícil uma candidatura do PT lograr êxito na Casa”, afirmou Cunha.

A bancada rechaça a proposta defendida pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB), de reeditar o acordo de rodízio entre PT e PMDB no comando da Câmara. O deputado Leonardo Picciani (RJ) disse que a formação de bloco é para garantir que o partido fique pelo menos como a segunda maior bancada da Casa.

Numa reunião nesta quarta de quase três horas, os deputados ainda reclamaram da atuação do PT nas disputas estaduais em prejuízo do PMDB e cobraram mais interlocução do Planalto com a Casa. Os peemedebistas disseram que a derrota de Dilma, com a derrubada de seu decreto dos conselhos populares, foi um recado para a petista sobre a autonomia do Congresso. “Não pode mais ter salto alto do Planalto”, disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que teve um encontro nesta quarta com a presidente Dilma, comentou a provável candidatura de Cunha à sua sucessão. Ele disse que o colega de sigla é competente e sério. “E no caso de uma disputa à presidência que tenha um candidato do PMDB, o que é normal, acho que (Cunha) é o nome natural que sem dúvida honraria a Câmara Federal”.

PDT na jogada

Sigla nova. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que irá acelerar a discussão com outras legendas para incorporá-las ao partido, desde que não perca a sigla. Ele descartou a chance de criação de uma nova sigla. O PDT, que elegeu 19 deputados e quatro senadores, discute a composição de blocos no Congresso. O objetivo é ampliar a bancada para até 40 deputados e disputar cargos estratégicos como presidência de comissão e relatoria de projetos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave