A intimidade da gravidez como narrativa para todas as mulheres

Atriz se inspira em sua própria gestação para criar um trabalho autoral na peça “Carolina de Lorca”

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Peça propõe diálogo entre o vídeo, teatro, dança e performance
GUTO MUNIZ DIVULGACAO
Peça propõe diálogo entre o vídeo, teatro, dança e performance

Cada vez mais, trabalhos das artes cênicas flertam e estreitam seus limites com a performance e com a natureza autoral e biográfica, que são marcas inconfundíveis do gênero. O espetáculo “Carolina de Lorca, que faz temporada no Teatro Marília, a partir desta quinta, é um bom exemplo de aproximação.

“Retomo desde meu desejo de ficar grávida, o período de gestação e as questões minhas, pessoais, que surgiram durante a gravidez”, revela Carolina Correa, única atriz em cena. “Comecei a fazer um diário durante minha gravidez e ele me estimulou a conversar com outras mulheres que me contaram suas histórias”, completa.

A partir daí, Carolina encontrou um parceiro de trabalho, Leonardo Kildare, que viu grande semelhança entre as inquietações da atriz e a peça “Yerma”, do espanhol Federico García Lorca. “Reli o texto e notei que tudo que se passa com ela parecia com o que eu vinha sentindo, mas no caso dela, a história acaba mal. No meu, não”, comenta Carolina. Na peça de Lorca, Yerma não consegue engravidar e apela para um ritual para tentar se tornar fértil, seu marido não a apoia e ela descobre que ele, na verdade, não deseja ter filhos. Yerma, então, o estrangula.

Antônia Claret, que assina a direção com Kildare, veio para organizar as ideias dos dois. Na montagem, há um diálogo intenso entre o vídeo, feito por Leonardo Barcelos e a atriz. “Existe essa solidão da mulher grávida ou que recém deu à luz. E eu estabeleço o diálogo com o vídeo”, diz. A trajetória do trabalho começou quando a atriz, ainda grávida, estudava no programa de pós-graduação em performance na Escola Angel Vianna, em BH. “Todas as leituras me estimularam a produzir algo que fosse exatamente relacionado à minha gravidez”, revela. Primeiro, ela produziu “Mamada”, performance que dialogava com o vídeo e versava sobre o ato de amamentação. A ela se seguiu, a cena curta “Incomodanza”. Hoje, a filha de Carolina já tem dois anos de idade e a atriz revisita o espetáculo com um outro olhar. “A maternidade não termina em momento algum, mas agora, algumas intenções são diferentes, coisas que eram menos densas, hoje são mais calmas, talvez”, finaliza.

Agenda

O quê. “Carolina de Lorca”

Quando. Desta quinta até sábado, às 20h, domingo, às 19h

Onde. Teatro Marília (avenida Alfredo Balena, 596, Santa Efigênia)

Quanto. R$ 20 e R$ 10 (meia)

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