Estética experimental e árida

Exposição “Em Desencanto”apresenta registros de 37 fotógrafos de Minas Gerais a partir desta quinta, no Museu Mineiro

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Pessimismo. Obras expostas, em sua maioria, apresentam espaços frios e fazem referência à tristeza
Daniel Moreira / divulgação
Pessimismo. Obras expostas, em sua maioria, apresentam espaços frios e fazem referência à tristeza

Apostando no pujante cenário da fotografia em Minas Gerais nos últimos anos, tanto no que diz respeito à produção quanto à apreciação artística do público ou do mercado, o coordenador do Festival de Fotografia de Tiradentes, Eugênio Sávio, decidiu criar uma exposição com obras de profissionais integrantes desse contexto. O resultado é a mostra “Em Desencanto – Fotografia Mineira Contemporânea”, que, depois de passar pela cidade história localizada no Campo das Vertentes no início do ano, chega a Belo Horizonte, precisamente ao Museu Mineiro. “A fotografia mineira está obtendo uma evidência grande em âmbito nacional. No ano passado, por exemplo, o prêmio Marc Ferrez, concedido pela Funarte, distribuiu 15 prêmios dos quais seis foram para mineiros”, justifica Sávio. Da constatação e da vontade de provocar uma reflexão sobre esse acontecimento tanto nos profissionais quanto na população, Sávio teve a ideia de integrar, pela primeira vez, uma exposição de fotógrafos do Estado. Para fazer a seleção das obras, inscritas por meio de uma convocatória, o coordenador chamou os também fotógrafos João Castilho e Pedro David. “Eles, junto com Pedro Motta (que infelizmente não pôde aceitar o convite por estar morando fora do Brasil), são idealizadores de ‘Paisagens Submersas’, um longo projeto que desdobrou-se em exposições e livro. Esse projeto desempenhou um papel importante na ‘virada’ da fotografia mineira, depois dele uma nova postura diante dessa arte foi assumida por todos os profissionais, e o mercado aqueceu”, diz Sávio ao admitir ter criado o Festival de Fotografia de Tiradentes inspirado pelo projeto. Com a responsabilidade nas mãos, a dupla de curadores escolheu obras de 19 fotógrafos. “Ao analisar as fotos, nos deparamos com cenários potentes e cortes bem realizados pelos fotógrafos. Avaliamos todo o material e, não por acaso, as maioria das obras escolhidas tem um tom pessimista”, diz David, que junto com o colega pesquisam imagens e planos de cenários nessa linha. O aspecto, porém, não é onipresente nas fotos. “Não está em todas, mas foi algo que identificamos na maioria e, quando colocadas juntas, acabam entrando todas na mesma linha”, acrescenta David. A forte presença do tom pessimista nas obras, no entanto, guiou a escolha do nome da exposição. Ao mesmo tempo, as fotos mostram uma faceta estética livre. “Há um lado experimental marcante, com bastante ousadia na pesquisa, fotos não-tradicionais que dialogam inclusive com outras linguagens”, opina Sávio. Além das 104 imagens (em Tiradentes foram expostas 118. Aqui o número foi reduzido devido ao menor espaço), estarão à mostra quatro vídeos. A itinerância da exposição, explica Sávio, é boa tanto para os artistas quanto para o festival. “É uma forma de fazer com que a produção se estenda por todo o ano e os fotógrafos, assim, tenham seu trabalho visto por um maior número de pessoas”, diz. Para a próxima edição do festival, que esta previsto para acontecer entre os dias 18 e 22 de março de 2015, o coordenador afirma que, além dos cursos e workshops e outras exposições, vai promover a segunda edição da exposição baseada em convocatória para fotógrafos do Estado. Agenda O quê. Exposição “Em Desencanto – Fotografia Mineira Contemporânea” Quando. Desta quinta a 21/12. 3ª, 4ª e 6ª, das 10h às 19h; 5ª, das 12h às 21h; sáb. e dom., das 12h às 19h Onde. Museu Mineiro (av. João Pinheiro, 342, centro) Quanto. Entrada franca

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