Cinebiografia de uma lenda do humor mexicano

Justamente 1956 foi um ano decisivo para Cantinflas

iG Minas Gerais |

Cantinflas é vivido no filme pelo ator espanhol Oscar Jaenada
paris / divulgação
Cantinflas é vivido no filme pelo ator espanhol Oscar Jaenada

São Paulo. Houve um clamor no México quando o diretor Sebastian del Amo escolheu um ator espanhol – Oscar Jaenada – para ser Cantinflas em sua cinebiografia sobre o lendário astro mexicano dos anos 40 e 50. Nas redes sociais, o protesto foi instantâneo – parecia absurdo, quando não desrespeitoso, que não houvesse um ator mexicano adequado para interpretar uma das glórias nacionais.

Na estreia de “Cantinflas”, havia clima para o que poderia ter sido um massacre. Virou unanimidade. Apesar do sucesso de público, “Cantinflas” decepcionou a maioria da crítica. Já o ator só recebeu elogios. Na voz, nos gestos, Jaenada logra converter-se em Cantinflas diante da câmera. É a alma e o melhor do filme.

“Cantinflas” foi indicado pelo México para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro e, como tal, compete com o brasileiro “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Rezende. Nada mais diferente do que a história (dramática) de um grande comediante e a do garoto cego, e gay, que supera preconceitos e sai do armário. Até meados de dezembro, saberemos se os dois filmes ficaram entre os pré-finalistas e, depois, em janeiro, se estarão entre os cinco que vão concorrer ao prêmio. Por mais que os críticos contestem o Oscar, é o prêmio mais popular do cinema. E o Brasil nunca ganhou. Terá chance com “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”? Pode não ser necessariamente uma vantagem, mas o filme mexicano já começa em ritmo de Oscar.

O recorte de Del Amo começa justamente nos bastidores de “A Volta ao Mundo em 80 Dias”. Em 1956, o longa dirigido pelo inglês Michael Anderson e produzido por Michael Todd – então marido da superstar Elizabeth Taylor – foi indicado para vários prêmios da Academia e ganhou na categoria principal. Embora considerado o melhor filme, não somou o prêmio de direção, atribuído a George Stevens, de “Assim Caminha a Humanidade”. “A Volta ao Mundo” baseia-se no livro de Jules Verne sobre a aposta feita pelo cavalheiro britânico Phileas Fogg de que conseguirá dar a volta ao mundo em 80 dias. Ele parte acompanhado por seu fiel valet, Passepartout. Envolvem-se em muitas aventuras e há uma pirueta final, o suspense decorrente de uma corrida contra o tempo até sabermos se Fogg venceu sua aposta, ou não.

Justamente 1956 foi um ano decisivo para Cantinflas. Um astro no México e em todo o cinema de língua espanhola, ele obteve sua consagração definitiva em Hollywood. Como Passepartout, senão o Oscar, ele ganhou o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante de comédia ou musical. Na tela, e fora dela, Cantinflas volta à Academia. Resta saber até que ponto isso poderá afetar os votantes.

Outras estreias

Semana de poucos lançamentos nos cinemas, com as distribuidoras se preparando para a invasão em massa das salas por “Interestelar” na semana que vem. O cine 104 traz o documentário “A Farra do Circo”, com registros do Circo Voador, no Rio de Janeiro, feitas por Roberto Berliner nos anos 1980. Já as fãs de Nicholas Sparks ganham mais uma adaptação do autor com “O Melhor de Mim”.

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