Escolha sorrir!

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Já reparou que tudo, absolutamente tudo, é baseado nas escolhas que você faz? Desde a hora em que você se levanta e decide se vai tomar café antes de ir para o banho, ou se vai vestir uma camisa laranja, preta ou amarela, até o momento final do dia, quando escolhe se vai ler antes de dormir, você já tomou mais de não sei quantas milhões de decisões diárias. Eu, aqui, digitando cada palavra deste texto, estou num processo de escolha de deixar qualquer indeciso maluquinho, tamanha a necessidade e rapidez ao selecionar muito bem cada palavra para que as ideias possam fluir e o texto acontecer. Seria loucura analisar cada escolha particular dessa forma?

Vivemos em uma democracia, acabamos de participar da maior festa dela. E, dentro do processo de escolha do líder que irá guiar o país pelos próximos quatro anos, o resultado saiu, obviamente, precisando ser contabilizado voto a voto, escolha por escolha. E olha que “quase” deu empate. São muitas cabeças tendo que se dividir em apenas duas opções, e o resultado foi 54,5 milhões se direcionando para uma e 51,04 milhões se voltando para o outro. Nunca na história das eleições deste país, desde a redemocratização após a ditadura militar, existiu uma disputa tão acirrada. E olha que teve gente que escolheu não votar em nenhum deles, hein? Escolheu apertar a tecla em branco, ou digitou qualquer número pra votar nulo, ou até mesmo escolheu nem ir votar, deixando o nível de abstenção nas alturas.

Para o Brasil, que foi dividido entre Norte e Sul, cada um dos votos válidos entre um candidato e outro foi essencial. Tanto que saiu um vencedor. É essa a intenção. Já as últimas escolhas citadas (votos brancos, nulos e abstenções) não querem nem podem dizer nada, mas, para cada um que escolheu agir assim, fez todo o sentido. Cada cabeça, uma sentença. Quem é você pra questionar a decisão do outro, não é mesmo?

Não se falou em mais nada nesses últimos meses. A conversa entre amigos, o assunto do bar, o bate-papo com a família, o discurso no trabalho, o tema incessante das redes sociais: tudo se resumia na sua decisão. A sua escolha era (ainda é e vai continuar sendo) a ideia mais legítima de poder. Mas, agora que as eleições se foram, restaram o sabor caramelizado da vitória para uns e o gosto azedo da derrota para outros. O que também não significa absolutamente nada, já que, ganhando ou perdendo nesse processo de escolha, você continua fazendo parte e usufruindo dele – não é porque você não faz parte do grupo vencedor que vai sair por aí de mala e cuia pra Miami, como um certo cantor decadente até quis fazer, mas, é claro, desistiu.

Aqui é o seu país! Você não escolheu nascer nele, foi ele que te escolheu. Na briga de foice do ganha-pão tupiniquim, não há vermelho nem azul. É o verde e amarelo que comanda, que predomina, que realmente manda. Agora é hora de vestir a camisa canarinho com orgulho e, sem nenhum orgulho, puxar assunto com aquele que se afastou por causa da divergência de ideias, ou foi você mesmo que se afastou porque já não aguentava mais a palavra “política” martelar fundo na sua mente. O que tinha que se fazer já foi feito. A hora agora é de acreditar e cobrar, de quem você escolheu (ou não), um Brasil que saia das propostas e do papel. Escolha ser feliz, escolha ser mais amor, por favor. Escolha sorrir, colorir, um faz-me rir. Esteja certo que este, sim, é o melhor caminho a seguir.

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