Lula reclama de ataques ao PT

Em vídeo, ex-presidente prega generosidade, exalta programas sociais e pede fim do preconceito

iG Minas Gerais |

União. Lula diz não entender o rancor de algumas pessoas com os mais pobres que melhoraram de vida
VIDEO REPRODUCAO /INSTITUTO LUL
União. Lula diz não entender o rancor de algumas pessoas com os mais pobres que melhoraram de vida

SÃO PAULO. Depois de uma campanha eleitoral acirrada em que chamou de “playboy” e “filho de papai” o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, o ex-presidente Lula postou nesta quarta no site do Instituto Lula um vídeo em que conclama os brasileiros a compreenderem o alcance dos programas sociais, como o Bolsa Família, e que deixem de alimentar o preconceito e o ódio contra as pessoas menos favorecidas. Dentro do PT, Lula já é franco favorito para a sucessão de Dilma Rousseff em 2018.  

Lula diz no vídeo que a reeleição de Dilma trouxe uma lição para a democracia brasileira, de que o povo sabe o que quer, mas que a campanha foi uma das mais agressivas contra o PT. “O comportamento da sociedade consolidou a democracia. Mas a gente percebeu que houve uma campanha de agressão ao PT. Ao ponto de Aécio Neves dizer que era preciso acabar com o PT. O povo sabe o que quer e por isso meu coração está mais leve”, disse Lula.

Para ele, a eleição deu voz aos menos favorecidos, de uma nova classe social que agora tem possibilidade de andar de avião e de ter acesso a computadores, banda larga e internet.

“Essas pessoas são eleitoras da Dilma, mas não tem curral eleitoral em função de classes sociais. Vi muita gente falando mal do Bolsa Família. Mas temos que pensar o que seria o Brasil sem ele. A miséria absoluta acabou”, disse.

Segundo Lula, a própria classe média ganhou com isso, porque essas pessoas passaram a consumir mais. Lula acha que houve certo preconceito dos mais ricos para com os mais pobres.

“Quando regulamentamos as empregadas domésticas, demos cidadania. A patroa não tem que ficar com raiva. Tem que ficar feliz porque a empregada progrediu. Isso deveria ser motivo de felicidade. Se não for assim, só posso compreender isso como preconceito”, disse.

Já com um discurso de campanha eleitoral, Lula diz que a repartição dos espaços públicos por todos “é uma conquista social e universal da democracia”. Segundo ele, “todos têm que ter igualdade de condições”. “Cabe ao Estado estender a primeira mão e a sociedade estender a segunda mão, para a gente tirar todo mundo de baixo e ajudar a subir um degrau. Todos têm direito a viver um padrão de vida decente e digno”, disse.

Para Lula, a sociedade não deveria alimentar o ódio e o preconceito. “Uma pessoa que alimenta o ódio pode acabar doente, com uma úlcera. Não é possível ser feliz sozinho. Para você que tem preconceito, que acha que só você tem direitos, abra seu coração, dê uma chance para as outras pessoas terem o que você já tem”, pregou, retomando o tom da campanha de “Lulinha paz e amor”.

Medo

Espaço. O PT está preocupado com o risco de perder espaço no segundo mandato de Dilma Rousseff. O distanciamento do ex-presidente Lula e sua influência reduzida na campanha seriam um prenúncio disto.

Regulação da mídia está na pauta petista Brasília. De olho no projeto de regulação da mídia, o PT quer influir na formação do novo governo e atuará para deslocar Ricardo Berzoini para o Ministério das Comunicações. Ele é hoje titular das Relações Institucionais, pasta responsável pela ponte política do Planalto com o Congresso. O ministro é visto como um bom negociador, mas o PT o prefere numa pasta em que possa tentar fazer avançar o projeto de regulação dos meios de comunicação. A ideia é uma bandeira do partido, mas vem sendo postergada por Dilma Rousseff.

Confira abaixo o vídeo do ex-presidente Lula

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