Tempos muito interessantes e complexos os do segundo mandato

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Ao final de uma jornada de 91 dias de reviravoltas, golpes baixos, tragédias e surpresas, Dilma Rousseff (PT) restabeleceu seu favoritismo e venceu Aécio Neves (PSDB), reelegendo-se presidente da República. Não se tratava de feito impossível, já que seu favoritismo prevaleceu na maior parte da campanha, apesar da má gestão do patrimônio político de Lula. A unidade política do lulismo sofreu muito com o rompimento da Força Sindical e da União Geral dos Trabalhadores com a base sindical do governo, o distanciamento do PSB de Eduardo Campos e o precário relacionamento com o Congresso. Foram abandonadas as bases de diálogo social construídas no governo Lula, em especial perante o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão), elemento importante na sua eleição, em 2010. As estripulias fiscais de Arno Augustin feriram a credibilidade econômica do país, e as previsões de Guido Mantega nunca se realizaram, tornando ainda mais vulnerável a política econômica. Na campanha, a morte de Eduardo Campos e o agravamento do escândalo da Petrobras transformaram a busca do segundo mandato num processo muito mais penoso do que se supunha. Vitoriosa, Dilma terá quatro desafios pela frente. De imediato, é preciso apaziguar os ânimos exaltados depois da mais violenta campanha eleitoral dos últimos tempos, tanto pelas agressões verbais quanto por confrontos que culminaram com atos de vandalismo. Vendo que as dificuldades aumentavam, o PT elevou o tom dos ataques e abusou de mistificações. Passada a campanha, os excessos terão de ser sepultados com gestos de lado a lado. O desafio mais importante será restabelecer a credibilidade econômica. Nem mesmo quando Lula ganhou, em 2002, eram tantas as reservas quanto agora, quando há uma profunda desconfiança na capacidade do governo de reverter o quadro de desânimo. O anúncio de uma equipe econômica sólida e confiável será importante para diminuir o pessimismo que marcou especialmente os dois últimos anos de mandato de Dilma. O comportamento dos mercados em relação ao Brasil vai ser crítico para sinalizar a direção a tomar. Dilma terá que encontrar o seu Henrique Meirelles. No capítulo político, há uma agenda pós-eleitoral robusta no Congresso Nacional, com relevantes repercussões fiscais. Mas a construção de uma base política forte para 2015 não implicará grande dificuldade. Complicado será administrar as sequelas jurídicas do escândalo da Petrobras. As delações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, e de Alberto Youssef, doleiro que servia de banco para a corrupção, têm o poder de abalar profundamente a política. Serão quase 30 políticos e parlamentares envolvidos em pesadas acusações de corrupção. Algumas delas, com provas muito mais eloquentes do que as do mensalão. E existe a possibilidade de a presidente Dilma e o ex-presidente Lula serem investigados. Diretores e conselheiros da Petrobras poderão ter suas vidas esquadrinhadas pela Securities and Exchange Commission (a CVM norte-americana, órgão regulador do mercado de capitais) e pelo Departamento de Justiça (o Ministério da Justiça dos Estados Unidos). Empresas envolvidas já pensam em delação premiada e podem levar o escândalo a níveis mais graves. Os desafios que se apresentam vão exigir da presidente Dilma Rousseff um nível de perícia superior ao exigido em seu primeiro mandato. Serão tempos muito interessantes e complexos, para dizer o mínimo.

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