Série aposta no impossível e acerta

Estreia do programa emplacou a maior audiência da história do canal CW

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Corredor escarlate. Grant Gustin usa a fantasia vermelha de Flash, que resiste à supervelocidade
NHorsley/FAMEFLYNET PICTURES
Corredor escarlate. Grant Gustin usa a fantasia vermelha de Flash, que resiste à supervelocidade

No primeiro minuto de “The Flash”, o telespectador ouve uma voz de homem que faz “apenas” um pedido: que você acredite no impossível, senão nem precisa conhecer a história que ele vai contar. E bota impossível nisso. “The Flash” é um dos heróis mascarados mais famosos do universo das revistas em quadrinhos, ocupa o imaginário das pessoas desde os anos 40 e, agora, chega à televisão mostrando que pode quebrar recordes na mesma velocidade em que corre.

Sua estreia na TV norte-americana, no dia 7 de outubro, já havia sido a maior audiência do canal CW nos últimos cinco anos. Só que, depois de somar todas as plataformas em que o piloto foi exibido, a emissora liberou nesta semana os números finais. O piloto do Corredor Escarlate foi visto por 6,8 milhões de telespectadores, um aumento de 41% em relação aos 4,8 milhões que assistiram no dia da estreia. Com isso, a série se tornou oficialmente o programa mais assistido da história do canal CW. O recorde anterior era de “The Vampire Diaries”.

“The Flash” é derivada de “Arrow”, o programa de TV do Arqueiro Verde, e, em última instância, coabita o mesmo mundo onde existe – ou existirá – a Liga da Justiça. Quem narra a aventura em primeira pessoa é o ator Grant Gustin. Ele é Barry Allen, um jovem perito forense (o famoso CSI) que tem um passado dramático. Sua mãe foi assassinada quando ele tinha 11 anos, seu pai levou a culpa e está preso desde então. Estereótipo do nerd, ele está empolgadíssimo com a inauguração de um acelerador de partículas em sua cidade. Só que, 45 minutos após começar a funcionar, o acelerador explode, e lança uma carga enorme de energia sobre toda a cidade. Atingido por um raio, Barry Allen entra em coma, do qual acorda nove meses depois, já com os poderes que tem nos quadrinhos: ele se move a uma velocidade tão incrível que acaba ficando invisível aos lentos olhos humanos, e vai quebrar um monte de leis da física.

Com um jeitão adolescente e desastrado, Allen tenta descobrir como lidar com as diferenças em seu corpo, e passa a ser estudado pelo ex-chefão do laboratório do acelerador de partículas e seus dois assistentes – tão jovens e, aparentemente, pouco experientes quanto o próprio protagonista. Suas tentativas fracassadas de parar garantem os sorrisos do público.

Ainda que não se possa falar da série toda, o piloto, pelo menos, parece cinema. Os efeitos da explosão atômica, os raios, as nuvens criadas pelo clássico vilão que controla o tempo, e a supervelocidade de Flash deixam no chinelo outras produções que mostram universos fantásticos na televisão. É esse capricho na produção que compensa a atuação fraca da maioria do elenco e a previsibilidade do roteiro, que segue a cartilha clássica: acidente que traz habilidades sobre-humanas, a responsabilidade necessária para usar esses poderes, a máscara... Bem no clima de Homem-Aranha, Arrow e companhia limitada.

Coragem. Apostar num personagem já mostrado no cinema, na televisão e no papel é, no mínimo, ousado da parte do canal CW. A tendência natural seria que quem é fã das revistinhas colocasse defeitos na tentativa de levá-las para a televisão, e quem não acompanha os quadrinhos não se interessasse por essa “baboseira adolescente” de herói. Mas não é que deu certo? Os números impressionantes da audiência e do compartilhamento pirata na internet mostram que gregos e troianos gostaram desse Flash. No Brasil, “The Flash” está em cartaz no canal pago Warner, toda quinta, às 22h30.

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